terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Em busca de redenção

A Xuxa deu uma entrevista para o Amaury Jr. Ok, até aí, nada de novidade. Fiquei sabendo disso pela assessoria do programa do colunista. Mas a surpresa veio com o teor da tal entrevista:

“De férias na Disney com a filha Sasha, ela concedeu uma entrevista corajosa onde acusa a televisão brasileira de não dar atenção para as crianças e quando dá pensa primeiro em retorno financeiro e em índices de audiência, jamais na educação.”

Gente. Gente. Essa é a mulher que passou seis anos comandando uma atração, er, “infantil” vestida assim:

xouxuxa_vale.jpg

E que apareceu na capa de seu primeiro disco assim:

capa_disco_xuxa_vale.jpg


Muito educativo.


Seguem as aspas da divulgação da entrevista:

“Xuxa deixou bem claro que acha um absurdo o pequeno número de programas infantis e o exagero de desenhos animados importados”.

Pô, Xuxa, eu assistia a “Caverna do Dragão” no seu programa. E a “Snorkels”, aquela versão submarina dos “Smurfs”, que era o primeiro desenho. Sabe, até que eu gostava. Nessa mesma época, eu também via “Bambalalão” – com contação de história, teatro de fantoches e gincana, mímica e temas nacionais. E também gostava.

“Em seu protesto, clamou para que a televisão brasileira faça para as crianças o que a escola pública não faz: divertir sem um tom professoral e chato”.

Era justamente assim que fazia o “Bambalalão”, Xuxa! Na mesma época em que você comandava o “Xou da Xuxa” e erotizava precocemente toda uma geração de crianças.

Algo aqui me cheira a busca da redenção. Depois que teve uma filha, Xuxa entendeu bem melhor seu papel e sua influência na TV brasileira. Passou a apresentar seus programas vestida. Não fez concessões, mesmo quando sua nova fórmula de atração educativa amargou poucos pontos de audiência. Espero que ela eduque tantas crianças quanto as que engravidaram na adolescência ou as que sofreram por se acharem fora do padrão loira-magra-branca das Paquitas.

Boa sorte, Xuxa.


Clara McFly às 11:02 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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