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Auto-clique com biquinho Minha mãe me ensinou a não guardar raiva de quem quer que seja. Principalmente de quem eu não conheço. Eu juro que me esforço para seguir a lição à risca, mas tem hora que não dá. Não dá, não dá. Porque tem um certo grupo de gente que me dá nos nervos. É um povo que nunca fez mal a mim, aos meus familiares e amigos, ou aos animais, aos velhinhos, às crianças no semáforo, ao meio ambiente (pelo menos não necessariamente). Mas essa gente tira auto-foto com biquinho. Quem aqui participa ou já partipou do Orkut deve ter encontrado centenas de exemplares da espécie, até porque o site de relacionamento é o habitat favorito deles. Aliás, já vou pedindo desculpas adiantadas se você, leitor ou leitora, ou seus respectivos, conta com uma foto dessa em seu perfil ou álbum de fotos. Veja bem: eu não desejo mal a essa gente. Queria apenas mais criatividade. O termo auto-foto com biquinho é bem auto-explicativo, mas ainda assim tentarei detalhar: normalmente, a fotografada é uma menina. Não sejamos sexistas, pois meninos também têm direito à fotografia-mala. Mas enfim, imagine uma menina. Adolescente. Imagine a tal com uma câmera digital na mão e posicionada estrategicamente na frente do espelho do quarto. Cenário esclarecido, vamos aos detalhes sórdidos. Eis que a garota joga a cabecinha para o lado, olha para o visor da câmera e, antes de apertar o botãozinho, faz um bico como se tivesse dando um selinho no vazio. A foto, em si, é péssima: torta, com a cama mal-arrumada aparecendo, fora de foco, ou com o flash estourado no espelho. Mas, ainda assim, a tal bota o auto-clique com biquinho como imagem principal do seu Orkut. Eu colocaria uma foto aqui para ilustrar, se não fosse ofender. Ou poderia tirar uma foto assim eu mesma, se eu não tivesse um pingo de amor próprio. Deixo então para a imaginação do leitor. Imaginação esta que falta aos adeptos do auto-clique com biquinho, pelo jeito. Vivi Griswold às 01:39 PM |
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