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Foi, Curíntia Bem, amigos da rede Globo. Toda piada que é possível de ser feita já foi feita. Até porque brasileiro é o gatilho mais rápido do Oeste quando se trata de piada em cima de tragédia. Quem aí não se lembra do “Quebra Cabeça do Senna”, chiste propalado menos de um dia inteiro após a morte do piloto? Outra piadinha perguntava o que Senna estaria fazendo agora se estivesse vivo. A resposta oficial era “arranhando a tampa do caixão”, mas para hoje eu arrisco dizer que o mestre da Fórmula provavelmente estaria se esquivando das gracinhas dos amigos torcedores de times adversários, que comemoraram a descida do Timão à segunda divisão como se fosse campeonato internacional conquistado por eles. No fundo, no fundo, é justo que o Corinthians caia. Os resultados do time dentro do campo não deixam margem de dúvida. E as maracutaias fora dele também não. Mas a gente torce até o final, né? Aliás, a gente vai além do final. A gente vai com o Timão onde ele for. Eu falo que não tem como não querer fazer parte dessa massa, gente. Esteja o Corinthians na primeira, na segunda, na terceira, na décima-quinta divisão, se ela existisse. Quem já se deu ao trabalho de observar com um pouco de cuidado a galera que enche as arquibancadas preto-e-brancas do Pacaembu, sabe – dos tiozinhos sem os laterais (na boca) aos moleques de Nike chegando de Peugeot; dos loirinhos segurando firme a mão do pai aos adolescentes da perifa que vão pro jogo de trem; das meninas tatuadas aos velhinhos com os netos; cadeira, geral, arquibancada para sentir mais emoção. Minha paixão, confesso, não é pelo futebol ou pelo clube. Percebi ao assistir o apito final do juiz neste domingo fatídico. Eu não sei o nome dos jogadores do Corinthians, mal sei quem é o técnico, não tenho pista do presidente. Minha paixão é pela torcida, que começou com pai corintiano, irmãos, amigos, vizinhos de praia; se espalhou pelas figuras que compõem a Fiel no estádio, rádio colado ao ouvido, grito de guerra cantado. E é por ela que lamento. Mas não me envergonho: a torcida – ao contrário do time, do clube, da diretoria, da federação – esteve lá o tempo todo. Fiel até o fim. E depois dele também.
-- Toquinho, “Corinthians do Meu Coração”
![]() Promessa é dívida Clara McFly às 11:25 AM |
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