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Arrumation soçaite "Ai que bagunça!" deve ser uma das frases que mais me vêm à cabeça desde que eu comecei a trabalhar, em junho. Antes disso, eu ficava em casa uma boa parte do tempo e ia arrumando as coisas devagarinho. Tirava o dia todo para, por exemplo, botar os CDs da prateleira em ordem alfabética. Ou agrupar meus novelos de lã em tons semelhantes. Agora falta tempo e disposição até para levar o prato na pia. Pia esta que, diga-se de passagem, está transbordando de louça. Agora me diga se é justo trabalhar a semana inteira e, quando o sábado e o domingo finalmente chegam, gastar um teco deles arrumando casa. Não dá, não dá. Mas precisa. Ou isso ou daqui a pouco eu não encontro mais um par de sapato completo e a Sofia se perde na montanha de casacos e blusas em cima da cadeira do quarto. Acontece que, preciso confessar, eu fui bem mal acostumada. Primeiro, quando morava com a minha mãe, as coisas misteriosamente ficavam no lugar. A roupa limpa, veja só você, aparecia passada e dobrada dentro das gavetas, como num passe de mágica! Quando saí da casa da mamãe, fui morar num apartamento cuja arrumação estava incluída no preço do condomínio. Olha, eu reclamava por pagar por uma sauna que jamais usava. Mas as mocinhas que iam passar pano e lavar a louça, nossa, eu pagava de bom gosto. Aqui nos Estados Unidos não há a cultura da empregada doméstica. Na terra do DIY (do-it-yorself, ou faça-você-mesmo), onde as pessoas pintam casas, constróem móveis, levantam cercas, arrumam telhados e limpam carpetes elas mesmas, não exite tal figura de luxo. Só se você for muito, muito rico, e olhe lá. Claro que há por aqui empresas especializadas em faxina. Você liga e eles te mandam umas 12 mexicaninhas para dar um tapa na casa. Mas é bem caro. E eu não me sentiria confortável em ter 12 mexicaninhas limpando a minha casa. Se elas em vez disso fizessem pilhas de tortilhas e um panelão de guacamole, eu poderia considerar. Então pessoas normais, que não gostam de explorar minorias e não têm dinheiro para torrar em amenidades, precisam enfrentar o aspirador de pó, o paninho com lustra móveis, a vassoura e o limpa vidros com uma certa frequência. Mas se fosse só poeira e pêlo de gato, tava bom. O problema é a bagunça que teima em acumular. Porque depois de trabalhar nove horas sem descanço, pegar ônibus e metrô, e chegar em casa duas horas depois de ter deixado o escritório, eu não tenho pique nem para pendurar meu casaco ou guardar meu sapato. Eu vou largando as coisas pelo caminho mesmo. Vergonha. Daí, no sábado de manhã, quando eu acordo para o dia, acordo também para a realidade de uma semana de baguça acumulada. Não é fácil. Principalmente porque sabemos que não adianta arrumar e deixar tudo um brinco. Segunda-feira começa tudo de novo. Vivi Griswold às 09:35 AM |
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