quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Mulher de bigode

Um dos meus maiores medos quando criança não era o Bicho Papão, nem a Mula-Sem-Cabeça, muito menos a Bruxa do 71. Um dos meus maiores medos quando criança era virar uma mulher de bigode.

Tudo porque a mãe de duas amiguinhas da rua ostentava volumosos pêlos faciais, daqueles de fazer inveja a muito rapazote. Aparentemente ela parecia não se importar com aquilo. Ah, mas eu me importava. Não conseguia olhar para ela sem sentir um arrepio correndo pelas minhas veias. Era impossível disfarçar meu desconforto.

Quando eu confessei meu medo para os adultos, uma tia, querendo fazer graça da minha inocência, respondeu que eu provavelmente teria bigode quando crescesse sim. “Você tem sangue português, mulheres portuguesas sempre têm bigode”, disse. Pronto. O medo, que antes era como uma lenda distante, virou um monstrinho a habitar debaixo da minha cama.

Eis que eu cresci e a maldição lusitana não foi concretizada. Ainda bem. Mulher de bigode, só a Frida Kahlo.

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Vivi Griswold às 10:09 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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