Não que eu seja uma perita em política, bem longe disso. Mas será que nosso Congresso Nacional não poderia aceitar só umas idéias aí que me ocorreram? Ou será que a gente não pode obrigá-los a aceitar para, quem sabe, melhorar a imagem e a performance de uma turma que só anda aparecendo para explicar mutreta, enrosco, desvio, má conduta e falta de ética? É pouquinha coisa, nem vai doer.
1. Escola
Acho que todo mundo que quisesse se candidatar a cargo público deveria fazer um curso específico de dois anos. Obrigatório. Teriam aulinhas de gestão, economia, ética, planejamento, estatística, educação moral e cívica. Estudo nunca fez mal.
2. Salário fixo
Seria assim: o salário de um vereador, deputado ou senador seria o mesmo durante todo o seu mandato. Nem adiantaria chiar. Candidatou-se, já vem lá no contrato o quanto vai ganhar. Um deputado recebe hoje cerca de R$ 12 mil. Tá mais que bom – e é garantido por alguns anos, olha que maravilha.
3. Sem verba adicional
Essa coisa de “auxílio-moradia”, “auxílio-terno”, “auxílio-pensão-da-ex-esposa” pega mal e é injusta. O resto de nós precisa tirar do salário mensal suas contas, uai. Elegeu-se para morar em Brasília? Apanha as trouxas, vende a casa e compra um apê lá! Dizem que na Asa Norte está bem em conta.
4. Sem auto-contratações
Quando um gerente de empresa precisa de mais funcionários, ele vai lá no chefe-plus e explica a necessidade. Os homens do nosso legislativo podem contratar seus próprios assessores (e têm uns 80 paus por mês para isso!). Quer assessor? Peça ao superior. O governo paga e ele fica sendo funcionário público como qualquer outro. E nada de primos, sobrinhos e noras, ok? Precisava dizer?
5. Emprego único
Os candidatos eleitos deveriam ser obrigados a abandonar negócios paralelos. Se é sócio do frigorífico, tem parte na rádio ou mantém lá uma consultoria, desfaça o elo. Se a vocação era mesmo para cargo público, arque com ela, ora essa. Fica mais fácil não se meter em trapaças.
6. Ficha corrida
Não seria melhor puxar a ficha de eventuais processos, condenações e detenções ANTES de aceitar uma candidatura. Nos pouparia um bocado de tempo em cassações.
7. Foro privilegiado my ass
Que me desculpem os nobres deputados e afins, mas essa coisa de ter uma justiça toda especial para eles é indecente. Pois não seriam eles mesmos a conhecer melhor as leis do que todos nós? “Senador, o senhor desviou verbas e pegaria cinco anos por isso. Mas como o senhor votou a lei... Vinte anos de detenção. Cinco pelo deslize, quinze pela burrice”.
8. Presença
Simplérrimo: adota-se o método acadêmico. Faltou em 10% das sessões, bomba. Mas já que eles não podem repetir de ano (ainda bem), desconta do salário. E manda para o castigo de férias, tendo que escrever mil vezes “não serei um maldito vagabundo”.
9. Hot-line
Dizem que a gente pode enviar e-mails ou cartas aos nossos eleitos. Desculpa, eu quero um número de telefone. E um que atenda! E dê retorno!
10. Xilindró
Quando um vereador, deputado estadual, deputado federal ou senador é pego em falcatrua, não perde só o cofre do país. O dinheiro desviado provavelmente deixou gente morrer na fila do hospital; deixou crianças passarem frio na rua; deixou um pai de família sem trabalho; deixou um garoto fora da escola e perto das armas. Perdemos todos, em espécie e em moral. Porque crescer vendo que os homens da lei se acham acima dela forja um caráter nacional deformado e marginal. Cadeia exemplar naqueles que desviam o caminho. É só uma idéia... mas quem tiver outras, pode e deve dar.