sexta-feira, 20 de julho de 2007

Eu fico p*ta!

Eu fico p*ta quando vou a um banheiro público e, contrariando o que minha mãe sempre ensinou – sim, porque mocinhas são educadas a jamais estabelecer contato de qualquer parte do corpo com o assento da privada – decido sentar-me no vaso. E me arrependo imediatamente, porque a porcaria do assento está molhada, sabe Deus com o quê. Pode até ser desinfetante, que a tiazinha da limpeza acabou de passar, mas a dúvida atormenta. E como.

Eu fico p*ta com o Niemeyer. Pô, ninguém avisou o cara que concreto encarde? Acho tudo aquilo horroroso. Não parecem projetos, parecem croquis. E sem escala, porque no Memorial da América Latina, por exemplo, a gente tem que andar horrores para chegar de um lugar a outro.

Eu fico p*ta com os serviços de meteorologia. “Mínima 15, máxima 28”. Olha, para dizer isso, eu mesma posso chutar. É um range bem amplo, não? Amplo demais para alguém que quer saber com que raios de combinação sair de casa: casacão, cachecol e botas ou blusinha regata e tênis? Sei lá! Entre 15 e 28 cabe tudo.

Eu fico p*ta com os luminosos da CET. “132 quilômetros de congestionamento em São Paulo”. Eu já tô no caminho mesmo, vai fazer diferença? Só serve para me deixar neurótica, com a clara sensação de que os 132 quilômetros estão todos no meu caminho. Mesmo que o trajeto a fazer tenha só 25.

Eu fico p*ta com pontos de ônibus divididos em dois. Quer dizer, tem dois pontos a duzentos metros um do outro, mas certos ônibus param no A e outros no B. Logicamente, alguém pichou/arrancou/vandalizou as placas que explicam que linhas param em cada qual. Logicamente, eu espero o ônibus no ponto errado – só para vê-lo passar direto fazendo um sinal de “vá esperar lá atrás”.

Eu fico p*ta com o Word. Ô programa burro da p*rra, que fica tirando os acentos do meu “levá-la”, “cantá-la”, “apará-lo” e qualquer outra ênclise de um verbo da primeira conjugação. E, se eu digito um título de música ou filme em inglês no meio do texto, ainda tem a saliência de perguntar se eu quero instalar um maldito pacote Premium sei lá do quê – que eu não quero, mas acabo acionando ao apertar a barra de espaço.

Eu fico p*ta com os cheiros da geladeira. Por Deus, eu tiro tudo de dentro daquela caixa dos infernos gelados, fecho tudo direitinho, jogo fora o que não presta. E a desinfeliz me brinda com um soco no estômago a cada vez que fecho a porta (que, por alguma razão estranha, também trava para qualquer tentativa de abertura na seqüência).

Eu fico p*ta. Não sou a primeira, nem serei a última. E você? Fica p*to?


Marcelo Mansfeld, que já está p*to há tempos, que o diga...




Clara McFly às 11:24 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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