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O recheio do meu Pan Mal começou aquela abertura dos Jogos Panamericanos, desatei num chorinho cafona e infindável. Não sei se foi a massa vibrando, se foi o belo Rio de Janeiro, se foram as cores, as fantasias ou a Elza Soares cantando o hino roucamente. Só sei que eu caio em todas as que o esporte apronta. Sou eu, ou essa coisa de congregar atletas é mesmo emocionante? A festa de abertura foi um marco, disso eu sei. Podemos levar 35 medalhas de ouro, dificilmente será superada a maravilha e a classe daquele momento. Podiam ter peruas requebrando cobertas com roupas mínimas e sofridas penas de pavão. Mas que nada. Teve Villa-Lobos de fundo, teve Adriana na cadeirona, teve um batuque atávico, teve Copacabana retrô. E teve um jacaré gigante e perfeito, muito mais bonito e bem inserido do que aquelas onças meio tortas e robóticas que às vezes dão os focinhos no Carnaval. A pira? A pira foi acesa em fila, por atletas do passado e que fizeram muito pelo esporte. Mas a última mão a meter fogo na coisona metálica foi a de Joaquim Cruz, o corredor, o homem, o mito. Um sujeito tímido até as sapatilhas que, com o que conseguiu no esporte, fundou uma associação que ajuda meninos e meninas a ter um futuro. Melhor escolha, impossível. Que Pelé, o quê?! É impressão minha ou existem uns infiltrados na delegação brasileira? Vejo a ciclista Clemilda, o maratonista Vanderlei, Anas, Diegos, Fernandas... E “Sebastian Cuattrin”? “Caroline Hildebrandt”? A turma da vela vem com uns sobrenomes do calibre de Winicki, Scheidt, Ficker, Biekarck, Arndt, Low-Beer. Eu acho que alguém precisava investigar tudo isso, pois a Finlândia deve estar querendo umas medalhas panamericanas. Se eu vir mais uma eleição televisiva de “musa” e “muso” do Pan, talvez uma veia exploda no meu cérebro. Tem coisa mais humilhante para um atleta de nível olímpico do que ser relegado ao posto de “gostosura”? Diabos, eles se exercitam diariamente, CLARO que terão braços fortes, pernas torneadas, barriga de tanquinho. Precisa ficar votando isso? É concurso de Miss? Sem falar que, vamos dizer, esse tipo de eleição dá um azar danado. A cada vez que surge uma menina bonita no esporte, é a mesma coisa. A equipe de TV corre lá e fica filmando a pobre na academia, em sua cama repleta de ursinhos, passando batom pra ir nadar, correr ou atirar. Pronto. Passou batom, sai na primeira rodada da competição. Só para os sujeitos dizerem, depois, que mulher bonita é ruim de jogo mesmo e não se pode ter tudo. Querem ver na capa da revista, não no pódio. É urucubaca forte. Qualé a dessa gente que vai ver os jogos e fica vaiando cada atleta norte-americano que pisa em campo? Comportamento ordinário, para dizer o mínimo. Se George W. Bush estivesse ali, competindo no badminton, eu concordaria com uma bela vaia e uns tomates passados. Mas o que uma garota que cumpre rotina nas barras assimétricas tem a ver com a guerra do Iraque, hein? As provas da ginástica artística só deveriam passar após as 22h, com censura 18 anos e recomendação do Ministério da Saúde. Ver garotinhas de 14 anos se arrebentarem no chão é filme de terror. E quando aqueles meninos giram na barra fixa, largam o apoio e fazem a retomada, minha coluna gela. Só o Pan para me fazer preferir ver o Jason estripar corpos do que ver adolescentes torcerem o pé. Decidi que quero fazer Tae-know-do. Eu apóio um esporte onde a gente pode chutar pessoas na cabeça e ainda ganhar pontos por isso! Humor negro de Pan: o esgrimista ficou fora da competição porque, num treino, teve o pulmão perfurado pelo florete do adversário. O adversário era seu próprio irmão. E se chamava Athos, nome de um dos Três Mosqueteiros. Que falta de graça... Meses antes do Panamericano, já estava em polvorosa esperando a oportunidade de ver tantos esportes legais. Programei para checar horários da ginástica artística, ginástica rítmica, patinação, nado sincronizado, trampolim... E então me dei conta de como gosto dos esportes mariquinhas. Taí: deveriam fazer a “Copa do Mundo de Esporte Mariquinha”. Aposto que muitas garotas, como eu, iam grudar na tela da TV. Sei que muitas críticas recaem sobre o Pan. Superfaturamento, gastos além da conta, desvios, greves, desapropriações, apropriações. Queria que tudo fosse investigado até o último canalha. Mas, por hora, acho que podemos torcer. Quem não é administrador, é apenas corredor, nadador, jogador, atirador, velejador, lutador, ginasta, ciclista e carateca, não deve pagar a conta. Deve receber aplausos. Clap-clap.
Fla Wonka às 09:55 AM |
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