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Cientificamente chatos Antes de mais nada, quero deixar bem claro que respeito e admiro a classe científica. Se não fossem essas pessoas resolverem dedicar a vida às matérias escolares das quais eu mais fugia, hoje não teríamos avançado tanto. Sem a ciência, a gente ainda acreditaria que a Terra é quadrada. Sem a ciência, o programa do Ratinho precisaria arrumar outra coisa para botar no quadro "teste de DNA" -- porque não poderíamos mapear o material genético que vive em todos nós. Mas preciso confessar que peguei um pouco de birra. Cientista pode ser o maior estraga-prazer da paróquia. Pronto, falei. Basta vir alguém com uma filmagem nova do Pé-Grande, tremida e embaçada, para algum cientista se pronunciar dizendo que tal material é falso, que o Pé-Grande é na verdade um homem vestido com uma fantasia daquelas bem toscas, que é impossível haver um mamífero tão grande que não deixa rastros, etc. Ou seja, o papel do cientista é jogar areia na imaginação dos outros. Puxa vida, que mal há em acreditar na existência de um animal fantástico? Como diria Fox Mulder, I want to believe. Pena que eles não deixam. Cientistas gastaram a maior grana para provar de uma vez por todas que o monstro do Lago Ness não existe. Pra quê, eu pergunto. Tão legal pensar que naquele lagão gelado da Escócia mora um parente dos dinossauros que de vez em quando vem à superfície! Tudo bem que em sua fotografia mais famosa, Nessie, como é carinhosamente chamada a criatura, realmente parece mais um braço de alguém saindo da banheira. Mas juro que se foçarmos bem a vista, e olharmos com uma certa distância, até chega a lembrar um bicho pescoçudo. Sempre que alguém resolve contar uma história de abdução por alienígenas, ou de discos voadores, quem aparece para desmentir? Eles, os cientistas. Todo OVNI é balão metereológico e toda abdução é cachaça. Acho que o santo protetor da classe deve ser São Tomé, aquele do "só acredito vendo". O que precisa para que a ciência aceite outras formas de vida no universo? Aparecer um homenzinho verde na porta de um representante e convidá-lo para uma cerveja no bar da esquina? Deve ser. E enquanto isso não acontece, eles vão negando tudo "à luz da ciência". Eu até entendo. Alguém tem mesmo que manter os pés no chão e olhar o mundo com imparcialidade, tentando provar ou desaprovar fenômenos. Mas acho também que nós não podemos perder a possibilidade de sonhar, de imaginar, de criar. Já pensou se no Egito Antigo existisse um cientista para falar que aquele negócio de deuses e imortalidade da alma não existe? Não teríamos pirâmides. Ou se um cientista vivesse com nossos índios, podando todas aquelas lendas lindas, dizendo que é cientificamente impossível um boto virar gente à noite? Coisa mais irritante! A última grande notícia é que os cientistas resolveram que Plutão não é mais planeta. Isso mesmo! Tudo o que você aprendeu no banco da escola sobre o sistema solar estava errado. Sabe aquela maquete usando bolinhas de isopor e arame que você fez tão caprichosamente na 5a. B? Errada. Porque o coitado do Plutão foi expulso da festa. Barrado no baile. O sistema solar foi na balada e Plutão não tinha identidade, ficou do lado de fora. Agora vai botar isso na cabeça de pessoas como nós, criadas com a certeza de que existem nove planetas. O tal "Minha Velha Traga Meu Jantar, Sopa, Uva, Nozes, Pão". O pão dançou. Qual será a próxima bomba do meio científico para desestabilizar o que sabemos? Eu tenho algumas sugestões: estudos comprovam que Marilyn Monroe era homem; cigarro é saudável; assistir televisão de perto faz bem pra vista; água tem cheiro, cor e gosto, aquilo que a gente tomava era outra coisa; o homem não veio do macaco, veio da salamandra; Brasil não é mais um país, agora Brasil é continente; o que a gente achava ser cachorro na verdade é gato, e o que a gente achava ser gato na verdade é passarinho; o sol é frio, quente é a lua; Fanta Uva é feita com puro suco da fruta; existe comida azul. Eu sinceramente tenho medo do passo seguinte que a ciência vai dar. Vamos fazer o seguinte então: se vocês, cientistas, descobrirem mais um fato desse calibre, não espalhem a novidade -- guardem-na para si. Da minha parte, prometo que da próxima ver em que eu vir o Pé-Grande, também fico quietinha. ![]() Falso? Ah, vá! Este texto é uma reedição. Vivi Griswold às 10:08 AM |
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