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Não leio mais Foi vista beijando um cara. Foi vista bêbada. Foi vista vomitando. Foi vista sem calcinha. Foi presa. Foi vista bêbada. Foi vista vomitando. Foi vista entrando na clínica de reabilitação. Foi vista saindo da clínica de reabilitação. Foi vista sem calcinha. Foi vista bêbada. Foi vista vomitando. Sinceramente: Britney Spears, Lindsay Lohan e Paris Hilton não devem mais agüentar a si mesmas, tamanha exposição na mídia. E se elas não devem agüentar mais, por que a gente deveria? Três moças lindas (exceto por Paris, talvez), com carreiras de sucesso (exceto por Paris, talvez) e um baita potencial para ter a vida que toda garota pediu aos céus (exceto por... não, Paris também, porque ela é herdeira, e isso todos adorariam ser). Mas ficam aí, surgindo na capa de jornais, nos programas de TV, na homepage de sites dia após dia. E não em poses elogiosas. E não em matérias relevantes. E não como as princesinhas que eram quando alçaram fama. Começar por Britney é pedir uma enxurrada de hate-mails. Mas vá lá, nem o fã mais ardoroso pode negar que a menina pirou. Pirou, surtou, alucinou. Isso porque já era rica quando tudo aconteceu – porque, se fosse pobre, alguém teria logo lhe dado um tapa na fuça, mandado parar de frescura e ir trabalhar. Entretanto, como se tratava de uma moça cuja fortuna estava estimada em US$ 750 milhões, ninguém levantou voz. Deu no que deu. Teve dois filhos com um sujeito detestável. Bebeu demais, fumou demais, aquilo tudo. Rapou o cabelo tal qual o Vin Diesel – e isso não fica bem sequer no cara, quiçá na menininha de “Ops... I Did It Again”. Aliás, o “ops... I did it again” ficou batido. “Toxic” passou a combinar bem melhor com o comportamento de Brit. Quem não gosta, não ouve, não compra, pisa e cospe em cima, teve a redenção. Confesso que não gosto, não ouço e não compro, mas deu tristeza. Não há regozijo possível ao ver uma mãe de dois lindos bebês se afogar assim na cachaça. E a cada clique, torço secretamente para ela ficar bonita na foto. Não que os fotógrafos pensem o mesmo, claro. Afinal, eles invadem festas e escondem-se em banheiros para isso mesmo, pegar moças de fama e sucesso com a cara na latrina. E não é que elas dão esse mole e efetivamente se portam assim? Lindsay Lohan está dia sim, dia não, aparecendo nas imagens como uma Barbie que foi achada no lixo. Descabelada, desgrenhada, despudorada. Já não lembra aquela gracinha fofa linda que estrelou “Operação Cupido” – e me encantou com os cabelinhos vermelhos, as sardas no nariz, o jeito de estrela. Sim, é verdade, ninguém será “Operação Cupido” para sempre. É preciso crescer, evoluir, cair na vida. Ei, mas precisava aceitar absolutamente todos os convites pra balada? Todos eles? Aparentemente, LiLo dá as caras em aniversários, casamentos, bar mitzvas, despedidas de solteiro, churrasco de cumeeira, roda de pagode, concurso de camiseta molhada, campeonato de truco, feijoada beneficente, reunião de tapauér. Não há dias na semana suficientes para abraçar todas as festanças de Lindsay. Daí a gente pensa: 1) não trabalha, não?; 2) quem liga para tanta foto da animada garota?; 3) onde está a mãe, que não dá uma coça, hein? Então lembramos de Paris, cuja mãe também não deve ter cogitado a coça. Paris Hilton. Segundo a legenda, “socialite, apresentadora e modelo”. Socialite não é profissão. Apresentadora seria profissão, mas o programa dela é limítrofe. Modelo é profissão, mas até hoje a vi em um desfile apenas. A descrição deveria se limitar mesmo à verdade. “Paris Hilton – Herdeira”. Seu pai é hoje o presidente de uma milionária cadeia de hotéis luxuosos, fundada pelo avô. Fosse qualquer um de nós, pensaria em aprender alguma coisa, lidar com o ramo tão esfuziante, se tornar uma milionária por mérito, reconhecida como empresária e até uma inovadora da hotelaria. Paris decidiu brilhar de outra forma: usando algemas. Tendo ficado famosa por causa de um vídeo pornô caseiro, já começou meio mal. Mas tudo bem, porque para a turma do gargarejo ela ainda assim virou “princesinha”. Não uma Princesa Diana, que dava lá seus mega-foras, mas compensava ajudando refugiados a sobreviver depois das minas terrestres. Paris é uma princesa que veste rosa, é loira, carrega sempre um cachorrinho que parece brinde da caixa de cereal vendida no inferno e dá um vexame atrás do outro. O pior é escrever essas desabafadas linhas sabendo que as três moças não são objeto de repúdio. O pior mesmo são as fotos, as filmagens, o frisson. É saber que elas vendem jornais quando estão na lama porque nós, o público, compramos tudo isso. Daí eu não ler mais nada. Abriu a janelinha, desligo. Apareceu notinha, ignoro. Paris Lohan, Lindsay Spears, Britney Hilton...Ora, já não se sabe quem foi vista bebendo, que foi vista sem calcinha, quem foi vista entrando na reabilitação. E quem liga mesmo?
A caminho do mau caminho? Fla Wonka às 09:52 AM |
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