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A semana Um ano tem por volta de 52. Uma gravidez saudável e sem complicações, 40. Mas se a mamãe for elefanta, o número sobe para 94. Eu, no momento, já computei algo em torno de 1450 – enquanto Deus, segundo consta nos ensinamentos religiosos, não precisou nem de uma inteira para fazer o mundo. A semana faz parte da nossa rotina por ser ela mesma uma rotina: tem dia para acabar, dia para começar e um período redondo e imutável a cumprir. Quando se despede, volta de novo. Até o fim. udo começa na temida segunda-feira. É ali que despertamos para a dura realidade. Ainda mais se o despertar, no caso, for com um maldito rádio-relógio tocando às 7h30 da manhã. Acordar cedo pode ser difícil, mas em uma segunda-feira a dificuldade alcança níveis estratosféricos. Trata-se do momento da largada – do seu trabalho e daquela prometida dieta. Há ainda a pia transbordando de louça suja do fim-de-semana. Por fim, a segunda-feira costuma marcar a despedida do tempo chuvoso que assolou sua folga. Por que diabos as segundas ficam ensolaradas? No meio dos questionamentos, chega a terça-feira. Coisa mais chinfrim, hã? Não há aquele drama que o dia anterior carrega na essência. Com sorte, poderia ser um feriadão – mas tesouros desse tipo acontecem de vez em nunca. Então você aceita a sua chegada com resignação. Afinal, agora é sabido que a semana começou mesmo e de nada adianta ficar reclamando. A pia de louça já foi devidamente atacada e aquela dieta foi mais uma vez colocada no modo de espera. Ah, quem sabe semana que vem? Ainda faltam cinco dias. A quarta-feira aterrissa como um alívio, uma vez que pode ser considerada o meio de sua semana de trabalho. Mais um período daquele já vivido desde a segunda e... pronto, a tão aguardada dupla sábado/domingo. É o dia de exercitar a paciência, portanto. De mirar seu objetivo e seguir com força até ele. Vá por mim: se o objetivo for uma pequena viagem, ou um tempo de bobeira junto de quem se ama, o percurso até lá fica ainda mais fácil. Sempre bom lembrar também que é o dia promocional no cinema. Ou seja, oportunidade para assistir a filmes ruins pelos quais você não pagaria um ingresso completo. Quando menos se espera, lá vem a quinta-feira. Apesar da folga estar perto, ela não guarda a expectativa de sua predecessora. E, além disso, é alvo de nossa braveza por ainda não ser sexta-feira. Com ela, aparece um turbulento período de impaciência e de insatisfação. O cansaço começa a bater forte. “Agora falta pouco!”, você sussurra a si próprio. Mas calma, nem tudo está perdido! Quinta-feira é o melhor dia para passar na locadora e angariar os melhores títulos. Nada como vivenciar um pouquinho de lazer preparando-se para ele. Com todos os louros e pétalas de rosa, nossa amiga sexta-feira comparece em grande estilo. É a parte da semana favorita de muitos: ao mesmo tempo em que traz a sensação de vitória por haver resistido a todos esses dias, a sexta-feira carrega um mundo de esperanças para o amanhã. Eis um belo dia para ter amigos, para o telefone tocar sem parar, para estar apaixonado. O planejamento da folga começa cedo e nem aquela notícia de frente fria se aproximando consegue emburrar. Mas é preciso ter cuidado com isso! Se ainda existir trabalho a ser feito, tanta expectativa pode fazer o relógio andar para trás. Sábado! Não é por acaso que a interjeição “aleluia!” costuma ser associada a ele. Há quem prefira aproveitar o ócio e acordar lá para as duas da tarde. Eu, porém, até gosto de sair da cama cedo (9h da manhã de um sábado é cedo, vá...) para planejar o dia. Um bom aliado é o jornal, que pode dar a dica das estréias no cinema, das feiras de antiguidades, das exposições de arte, etc. Monto um roteiro completo: almoço em algum restaurante, lazer qualquer à tarde, filme à noite... Se houver espaço para algumas comprinhas, então, melhor ainda! Eis que o domingão aparece bem no meio desse ritmo alucinante só para botar um freio. Domingo é o começo do fim. É um corvo de mau agouro que fica bicando e nos lembrando de que tudo vai acabar. É difícil ter pique naquele dia – normalmente, ficamos na inércia e esperamos a noite chegar. Bom momento para acordar bem tarde. Para almoçar às 16h. Para sujar bastante louça com molho de macarrão e pipoca de microondas. Vários copos com resto de refrigerante. E assim vamos, comendo e vendo TV até que... Não, a música do “Fantástico” não! Droga. A segunda-feira, danada que só ela, sinaliza no horizonte. E é hora de recomeçar. Novamente. (*) Nota da autora: Texto para ser lido ao som de “Friday I’m In Love”, do Cure. (*) Nota da autora 2: Este texto é uma reedição. Vivi Griswold às 03:40 PM |
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