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Aonde nunca se vai Eu não conheço ninguém que voou no Concorde. Nem quem singrou os oceanos a bordo do Cutty Sark. A bem da verdade, nenhum dos meus parentes, amigos ou colegas já pôs os pés na China ou fez um safári na África. O turismo é uma coisa esquisita, que atiça a mente mas compromete os bolsos. E então a maioria acaba tendo que juntar anos de dinheiros para correr sete dias a Paris ou passar seis noites na Disney. Isso não impede, claro, que sonhemos. Para quais lugares você sonha ir – mesmo sabendo que isso tem tanta chance de acontecer quanto de ver sua vó surfando? Eu conto primeiro, você depois! Desde menina eu leio os livros de Amyr Klink, o intrépido navegador brasileiro. Foi no segundo deles, na saga entre os dois pólos, que primeiro fiquei sabendo das Ilhas Faroe. Um cisco de terra coberta por grama verde-aceso e pipocada por passarinhos malucos chamados papagaios-do-mar. Pelo que entendi, lá só tem uma vila, raros habitantes, um clima desgraçado (típico do Mar do Norte) e nada pra fazer. Mas eu quero! Quero ir conhecer uma porção do mundo onde quase ninguém desembarca. Xian é outro dos meus destinos “até parece que um dia eu vou, mas queria”. Fica na China, então não seria aqueeele problema. Mas fica em um ponto remoto da China, aonde só pisa quem quer conferir os tais guerreiros de terracota. E adivinhem o que eu faria lá? Guerreiros na cabeça! Desde que li uma reportagem, fiquei de queixo caído. Foram descobertos loucamente por acaso, quando um senhorzinho decidiu cavar um poço e deu com a fuça de um chinês de barro. Desde então, começaram as escavações arqueológicas e... bom, existem cerca de 8.000 estátuas sob a terra, guardando o túmulo do primeiro imperador. Cada um, vejam, tem um semblante e trajes diferentes. Quem esculpiu isso não tinha pressa. É como eu, que posso esperar toda a vida para vê-los, se for o caso. Na Rússia, por outro viés, eu posso esperar para ir, mas não terei tanta paciência. É que já ouvi falar demais de lá por meio do meu amigo Pablo, então não conseguirei me conter muito tempo mais. Ele atravessou um rio perfeitamente congelado, encheu a cara de vodca e garante que o metrô mais bonito do mundo é o de Moscou. Aí eu encanei: preciso ir para a Rússia logo. E digo mais: se conseguir chegar lá, me esbaldo. Tomo logo o trem da transiberiana, estico até o Lago Baikal, o mais profundo da Terra, e finalmente vejo São Petersburgo. Farei, feliz, meu próprio Cerco de Leningrado! Ops, de São Petersburgo. A essa altura já tem gente pensando que gosto de levar neve pela cara. E gosto mesmo. Mas posso conviver com o calor se for para ir até as Ilhas Reunião. Quem não ia querer conhecer um lugar com esse nome, por favor? Eu gostaria de fechar uns negócios lá em reunião. Há! Sentar na espreguiçadeira, olhar em volta e só ver a água azul-profunda do Oceano Índico. Quiçá apanhar um barquinho e visitar a vizinha Madagascar – mas que não me venha a maldita canção da banda Reflexus grudar na cuca, hein? Por falar em porções de terra cercadas de água por todos os lados, eu tenho uma certa fixação com esses exemplares geográficos. Seychelles está na minha mira. Turks e Caicos idem (desde que eu consiga esquecer o fato de que Angélica e Luciano Huck sempre passam férias lá). Mas nenhuma habita há mais tempo meu imaginário do que a Ilha de Páscoa. Culpa do meu irmão, aquele doente, que esculpia moais em madeira e ficava me contando as lendas sobre a construção das monstruosas carrancas de rocha. Fiquei obcecada: nem que seja para entrar num consórcio-viagem, mas vou descolar um modo de ir à Ilha de Páscoa. Quem sabe... na Páscoa? O diabo é que tem lugares que até são tangíveis, apesar de distantes. Eu sei que um dia vou ao Egito e para Atenas, na Grécia. Planejo ir ao Ayers Rock, na Austrália, e cogito amargar sete mil horas de vôo até Tóquio. Mas certos outros lugares... Como eu vou chegar em Anchorage, no Alasca? Só apanhando um cruzeiro – que custará minhas duas córneas e mais um rim. E daí sempre me dirão “que retardada, gastar um dinheirão para ir numa terra fria do inferno onde não tem nada?”. Tem sim. Visitar colônias animais e conhecer inuits. Além do mais, basta cruzar o Mar de Bering e chegar na Rússia! Olha aí, mato dois ursos polares com uma cajadada só! Pois se meu maior sonho impossível ainda é ir à Antártida, o resto parece factível. Moleza, até. Chegar no continente gelado, em vez disso, vai ser um milagre. Continuo imaginando as caminhadas muito abaixo de zero, as pinguineiras, as panquecas de gelo se formando em torno do barco e o vento de lacrimejar. Não me importo de sonhar até que vire verdade. E o bom é que conheço ao menos duas pessoas que estiveram lá! Sim, há quem persevere para muito além de seis noites na Disney. E por que não nós? Então agora é sua vez de contar bem aqui, vai!
Eu cruzaria o mundo pra ver essa fofura Dê sua dica sobre Bali, Amazônia, Cochinchina! A internet não deixa de brincar com a tal da interatividade. Imagine que uma turma aí criou um Mural Virtual onde toda e qualquer pessoa pode deixar suas sugestões de sites bacanas. Lá eu já fui. Se quiser ir também, apanhe a passagem e siga por aqui. |
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