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Teenage fun club A adolescência é aquela fase marcada pelo aparecimento de pelos indesejáveis e espinhas menos desejáveis ainda, em ocasiões tão oportunas como a véspera da festa de aniversário da sua amiga, quando aquele carinha – cujo nome figura faceiro dentro de um coração em todas as páginas da sua agenda – disse que queria dançar com você. Isso é fato para todo mundo. No meu caso, a adolescência também foi uma idade da diversão. Nem sempre saudável, muitas vezes infame. Mas ainda assim diversão. Minha idéia de diversão, aos 11 anos, era juntar a mesada para passear no shopping. Uma vez lá, a diversão em si consistia em comprar canetas coloridas e chicletes importados, jogar Tartarugas Ninja no arcade e subir e descer as escadas rolantes. Pfff. Tolinha. Mal sabia eu que existiam coisas melhores, como os... bailinhos! Aos treze, divertido mesmo era dançar “Listen to Your Heart”, do Roxette, com os meninos da classe, no salão do prédio ou na garagem coberta com lona da casa de alguma colega. Claro que isso só era divertido até que o garoto com quem eu queria dançar tirava as meninas mais lindas da classe para o bailado – que consistia basicamente em botar as mãos no pescoço do rapazote enquanto ele botava as mãos na nossa cintura, tudo com uma distância de uns dois metros e meio entre os corpos. Aos 14, o grande barato era promover campeonatos de videogame regados a muito Confete e coca-cola. E pensar que, nessa idade, a Christiane F. promovia campeonatos de outra natureza, regados a outros tipos de, hum, “acepipes”. Enquanto isso, eu fechava “Sonic The Hedgehog” e “Alex Kidd in Miracle World”. Diversão é mesmo subjetiva. Com 15, descobri o que parecia ser a grande diversão de todas: beijar na boca. Claro que, quando a coisa toda aconteceu, eu achei estranhíssimo. Mas, no dia seguinte, acordei com o pensamento fixo de fazer de novo. Às vezes, minhas fichas são meio lerdas para cair. Passado o frisson do beijo, voltei-me às diversões mais infames. Entre 16 e 17, adicionei ao repertório fumar escondida no banheiro, jogar papeizinhos nos cabelos das meninas da primeira fileira, apelidar intimamente as colegas de classe com alcunhas carinhosas do tipo Possuída e Presuntinho e tomar um porre – o primeiro. Aliás, porres, experimentações às escondidas e beijos na boca estão entre as diversões mais almejadas da adolescência. Mas sabe o que era divertido mesmo? Registrar estas coisas, que pareciam tão enormes, em agendas cobertas por recortes de coisas que pareciam tão legais. Hoje, não poder sair duas vezes no mesmo final de semana não parece razão para morrer, como parecia então. E o Axl Rose não parece mais tão sexy. Mas o hábito e a diversão de escrever, esses sim ficaram.
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