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Todo lugar é aqui Eu acho que a humanidade sofre de uma falta de criatividade crônica para batizar lugares. Como eu disse há tempos, todo nome de lugar se restringe a três origens: ou é homenagem a algum figurão, ou é uma referência à geografia-barra-história do local ou é inspirado em santos. Senão, vejamos os casos da Colômbia, Belo Horizonte e San Francisco. Tintim por tintim, está tudo aí: homenagem a Colombo, referência geográfica e nome de santo. Continuo esperando descobrir um local de nome totalmente inventado, ou ao menos completamente arbitrário e aleatório. Ainda não topei com uma localidade denominada Orgnihjambá, Prolftorbem-tchã ou qualquer outra coisa mais facilmente pronunciável, embora tão inventada quanto nota de três reais. Mas encontro meio consolo em cidades como Santa Rita do Passa Quatro ou São Tomé das Letras. Quer dizer, eles começaram com a regra de batismo número três, mas parecem ter se arrependido no meio. Daí, arremataram com uma gracinha, uma referência a alguma história perdida nos confins do calendário ou, quiçá, simplesmente uma piada interna. Quem entende essa história de “Passa Quatro”? Aposto que os fundadores da cidade estavam reunidos quando aconteceu mais ou menos assim: - Então, a cidade vai se chamar... Santa Rita! Aplausos. Levanta um mané lá no fundo da assembléia. - Er... com licença... Santa Rita é óquei, aliás um nome muito do gracioso, vocês sabem que eu sou devoto de Santa Rita desde criancinha, que Deus a tenha perto de Si e tudo, mas estive pensando... e se a gente metesse, depois do nome, um arremate que ninguém vai entender? E cá estamos hoje, caindo na dos fundadores criativos. Enquanto continuava minha procura por algum nome que fugisse às três propostas, notei outra coisa interessante, capaz de corroborar minha tese de que os critérios para nomear lugares são mesmo universais. Tudo bem que às vezes é só uma tradução, uma cópia descarada ou a adoção da velha tática de meter “Nova” antes de um nome antigo. Acho o maior barato essas saudades: - Olga, minha querida flor das estepes... Quando viemos da longínqua Odessa, não pensei que ia ter tantas saudades... Ah, os portos... Ah, os ares... Ah, os dois graus negativos no inverno... Assim temos Nova Andradina, Novo México, New Hampshire, Nova Inglaterra e Nova York. Que, aliás, o Maranhão copiou. Quem estiver cauteloso sobre visitar a cidade que foi alvo terrorista em 2001 pode dar uma chegada em Nova Iorque, Maranhão mesmo. Mas eles vão ficar devendo o Central Park. Os próprios americanos também não escaparam da falta de criatividade. Riparam logo um nome dos romanos. O Campidoglio é uma das sete colinas sobre as quais Roma foi erguida. Lá funcionava a sede do governo mais poderoso da Antiguidade Ocidental. Pode-se dizer, portanto, que o governo do mundo ficava no Campidoglio – ou Capitólio, aportuguesado. Hoje, o governo do mundo continua estabelecido no... Capitólio. Mas de Washington. Outras vezes, a repetição não chega a fazer tanto sentido histórico e político. Mas existe alguma coisa em comum entre a Cidade Alta, em Salvador, e a Acrópole, em Atenas; a Praça da Paz, no Ibirapuera, e a Tian'an men, em Pequim; a Praia Grande e Long Beach. Nem que seja só o nome. ![]() A Cidade Alta e… a Cidade Alta
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