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Bolsa de mulher Mais do que o motivo pelo qual mulher vai ao banheiro em dupla, a bolsa feminina é um completo mistério para a maioria dos homens. Apesar de alguns fingirem nem ligar para o acessório ou ainda tratá-lo com desdém – toda mocinha já ouviu a máxima “o que tanto você carrega aí?” ao sair de casa, feliz e saltitante, carregando uma bolsa grande, cheia e pesada a tiracolo –, muitos demonstram um respeito inabalável por essa parte de nosso guarda-roupa. Principalmente quando o rapaz reclama que está com uma dor de garganta danada e a rapariga, rapidamente, enfia a mão lá dentro, vasculha e saca de uma pastilha tiro e queda. E ainda esnoba: “tenho sabor hortelã, cereja e lima-limão, qual você prefere?”. Porque nossa bolsa não é apenas nossa amiga de pano, couro ou lona. Ela guarda mais segredos que cartola de mágico. E eu acho que está mais do que na hora de sermos boazinhas e revelarmos alguns deles. Antes de qualquer coisa, vamos relembrar os itens básicos. Primeiro, a carteira. Com notas, cartões do banco e de crédito, cartões de visita, pequenos papéis avulsos com números de telefone, foto de alguém importante (namorado, filho, cachorro), algum patuá para atrair mais dinheiro e/ou folha de louro fossilizada que está lá desde o reveillon de 1997. Depois temos chaves, celular, espelhinho, maquiagem, elástico de cabelo e presilhas, caneta, chiclete, fio dental, remédio, óculos escuros, iPod, absorvente, alicate de unha, colírio e, em muitos casos, um caderninho de anotações e uma câmera digital. Não podemos esquecer também daqueles itens do fundo, tipo moedas de um centavo, papéis de bala, clipes e grampos. Se com quaisquer três itens dessa lista McGyver já conseguiria construir uma bomba caseira, imagine do que a gente é capaz. Mas a maior parte do conteúdo de bolsa de uma mulher, assim como a maior parte do nosso cérebro, é indecifrável. Imagine esse acessório como sendo uma espécie de maleta amarela do Gato Félix, aquela que possuía poderes mágicos e se transformava em qualquer coisa, além de conseguir carregar desde um amendoim até um submarino sem perder a forma. Aliás, forma é o que menos importa em bolsa de mulher: ela pode ser daquelas grandonas, de alças largas e cores cruas que as universitárias bichos-grilo adoram usar; ou então pode ser daquelas mini-bolsinhas, estampadas com o logotipo da grife, que as dondocas levam debaixo do braço. O perigo que se esconde ali dentro é o mesmo. Toda bolsa feminina, por exemplo, carrega uma espada samurai. Sério! Você nunca viu o tanto de mulher que fica presa na porta do banco? Obviamente o guarda – homem – acha que a tal porta trava por conta de itens mundanos e inocentes como chaves. Mas não, a culpa sempre é de nossa comprida e afiada Hattori Hanzo. Mesmo a mais pacifista e boazinha das mulheres tem a sua, somente por precaução. Normalmente a gente a utiliza para limpar debaixo das unhas e para abrir cartas quando ninguém está olhando, mas é claro que não podemos garantir que nunca a usaremos (ou que nunca a usamos). Como é que uma Hattori Hanzo cabe dentro de uma bolsa? Ora, aí você já está querendo saber demais. Contente-se com o que estamos oferecendo aqui. Outro item secreto indispensável é o calendário de todas as datas possíveis de um relacionamento. Lá está anotado não apenas o aniversário do namoro/casamento, mas também cada um dos momentos que o casal passou junto. Por exemplo, a data do primeiro “oi”; da primeira música romântica no carro; do primeiro picolé dividido na praça; do primeiro cinema no domingo à noite. Isso explica por que lembramos de datas que os meninos aparentemente não conseguem se lembrar. Fora que é bom ter o calendário sempre à mão para eventuais chantagens emocionais. Por exemplo: a menina quer ver um filme meloso e o namorado quer ver “Vermes Assassinos Sanguinolentos 6”. Ela faz bico e diz: “além do mais, hoje é o aniversário da primeira vez em que você pisou no meu pé e você nem ligou”. Pronto. Lembra daquele aparelho que apareceu no filme “MIB - Homens de Preto”? Aquele que apaga a memória da pessoa com apenas um clique? Pois toda mulher possui um dentro da bolsa. Assim podemos, por exemplo, falar um monte de desaforos para chefes folgados e, logo em seguida, botar o aparelho em funcionamento. Não é libertador? Mas se o chefe, ou qualquer outro ser, for muito pentelho e abusar muito da nossa paciência, podemos fazer uso de um outro item: os bonecos de vodu, lógico. Guardamos uma coleção deles, cada um devidamente inspirado em uma pessoa diferente. E muitos, muitos alfinetes. Da próxima vez que você, rapaz, sentir “uma pontada nas costas”, pare um pouco e reflita se você não fez algo ruim para sua namorada, irmã, prima, colega de escritório... E tem mais, muito mais, dentro de bolsa de mulher. Tem mapa do tesouro, pistola de cola quente, dicionário, fantasia de odalisca, bússola, calculadora, chinelo, canivete, inseticida, saca-rolhas, mantimentos, lupa, chapéu, filmadora, colher de pau, jogos de tabuleiro, banquinho, pilhas, urso de pelúcia, salgadinho, vidro de perfume, frutas diversas, acessórios de manicure, binóculo, livro de receitas, caixa de ferramentas, guia de ruas, boneca da Hello Kitty, lampião a gás, saco de jujubas, spray de pimenta, videogame, aspirador de pó, cartões de Natal, guardanapos, imagem de Santo Antônio, dardos, vara de pescar e joaninhas. Ficou com medo de fuçar naquele acessório misterioso? Pois é bom ter medo mesmo, porque além de tudo isso, a gente ainda carrega ratoeiras armadas, só esperando serem cutucadas para fisgarem com gosto dedões enxeridos. Depois não diga que não avisamos. ![]() Vê a pontinha da espada samurai saindo ali no canto? Quer uma bolsa bem linda... |
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