terça-feira, 13 de junho de 2006

Minha terra tem palmeiras

Diz que as margens do corguinho ouviram o berro de um pessoal bravo lá pelo Ipiranga. E o grito saiu tão forte que ecoou. Foi quando o sol alumiou mais forte no céu do país, porque eles estavam livres. Diz também que o pessoal tomou na marra a garantia de tal liberdade, no muque mesmo. E, acomodados na vida livre, não tavam nem aí para a morte (eu estou só contando a história como me ensinaram, mas aqui cabe a inevitável observação: essa parte aí da luta é figura de linguagem, não?).

Ó pátria amada, idolatrada, salve salve!

Então, no país, um feixe de luz daqueles que fazem o peito se encher de alegria desce à terra. Mas isso se no céu bonito, coberto de estrelinha, brilhar a imagem daquelas cinco estrelas em forma de cruz.

Já nascido grande até onde a vista alcança, suas terras são danadas de bonitas. E o pessoal espera que os dias do porvir sejam tão imensos como esse mundaréu de planalto, serra, praia e mato pelo país afora.

Se pudéssemos escolher entre um milhar de outras, ninguém queria trocar. Isso porque a gente gosta um bocado desse lugar, viu? Porque diz também que essa terra aqui é daquelas mães boazinhas para todos nós (embora eu ainda tenha minhas dúvidas se somos filhos lá muito suficientemente responsáveis).

Pátria amada, Brasil!

O país se estende para sempre, numa localização daqui, ó. Tem barulho de maré e aquele céu azul que até dói as vistas. E, entre os vizinhos, é a jóia da coroa, tomando banho de sol nos continentes descobertos pelo povo das Oropa.

Os terrenões daqui têm muito mais pés-de-planta do que as terras mais enfeitadas e metidas a besta. Nossos capoeirões são muito mais animados também, com um assombro de bichos correndo para lá e para cá. Assim sendo, criar no meio dessa festa toda é muito mais melhor de bom!

Ó pátria amada, idolatrada, salve salve!

Então, a gente pede que a bandeira cheia de estrelinhas a alumiar represente nosso amor eterno por esse lugar sem igual. E que a parte verde do pano sirva para lembrar nossa memória curtinha dos dias gloriosos que se foram e dos amanheceres ensolarados e tranqüilos que ainda vêm por aí.

Porém – e sempre tem um porém – vamos dizer que comece uma guerra por aí. Prometemos lutar pelo que é certo, sem sair correndo para o outro lado. É porque gostamos tanto daqui que nem temos medo da Desdita, não.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil
Ó pátria amada

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil

* * * * * *

Não que esteja lá muito versado, porque uma letra bonita dessas é coisa fina demais para ter uma explicação só. Mas se alguém tivesse me contado o Hino Nacional assim, eu não teria passado anos cantando coisas estúpidas como “terra dourada”, “sêo Penhor” e quetais.

* * * * * *

E hoje o Brasil estréia na Copa, e o povo todo está imbuído de nacionalidade, emoção e verde-amarelo como nunca. Nada contra: eu já estou com a minha camiseta, fui uma entusiasta da pintura da rua com a inscrição "Rumo ao Hexa" e pretendo enfeitar toda a casa. Mas será que dava para continuar com a empolgação patriótica depois também? O país (que não é só do futebol) agradece.

Clara McFly às 11:38 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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