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Minha terra tem palmeiras Diz que as margens do corguinho ouviram o berro de um pessoal bravo lá pelo Ipiranga. E o grito saiu tão forte que ecoou. Foi quando o sol alumiou mais forte no céu do país, porque eles estavam livres. Diz também que o pessoal tomou na marra a garantia de tal liberdade, no muque mesmo. E, acomodados na vida livre, não tavam nem aí para a morte (eu estou só contando a história como me ensinaram, mas aqui cabe a inevitável observação: essa parte aí da luta é figura de linguagem, não?). Ó pátria amada, idolatrada, salve salve! Então, no país, um feixe de luz daqueles que fazem o peito se encher de alegria desce à terra. Mas isso se no céu bonito, coberto de estrelinha, brilhar a imagem daquelas cinco estrelas em forma de cruz. Já nascido grande até onde a vista alcança, suas terras são danadas de bonitas. E o pessoal espera que os dias do porvir sejam tão imensos como esse mundaréu de planalto, serra, praia e mato pelo país afora. Se pudéssemos escolher entre um milhar de outras, ninguém queria trocar. Isso porque a gente gosta um bocado desse lugar, viu? Porque diz também que essa terra aqui é daquelas mães boazinhas para todos nós (embora eu ainda tenha minhas dúvidas se somos filhos lá muito suficientemente responsáveis). Pátria amada, Brasil! O país se estende para sempre, numa localização daqui, ó. Tem barulho de maré e aquele céu azul que até dói as vistas. E, entre os vizinhos, é a jóia da coroa, tomando banho de sol nos continentes descobertos pelo povo das Oropa. Os terrenões daqui têm muito mais pés-de-planta do que as terras mais enfeitadas e metidas a besta. Nossos capoeirões são muito mais animados também, com um assombro de bichos correndo para lá e para cá. Assim sendo, criar no meio dessa festa toda é muito mais melhor de bom! Ó pátria amada, idolatrada, salve salve! Então, a gente pede que a bandeira cheia de estrelinhas a alumiar represente nosso amor eterno por esse lugar sem igual. E que a parte verde do pano sirva para lembrar nossa memória curtinha dos dias gloriosos que se foram e dos amanheceres ensolarados e tranqüilos que ainda vêm por aí. Porém – e sempre tem um porém – vamos dizer que comece uma guerra por aí. Prometemos lutar pelo que é certo, sem sair correndo para o outro lado. É porque gostamos tanto daqui que nem temos medo da Desdita, não. Terra adorada, Dos filhos deste solo és mãe gentil, Não que esteja lá muito versado, porque uma letra bonita dessas é coisa fina demais para ter uma explicação só. Mas se alguém tivesse me contado o Hino Nacional assim, eu não teria passado anos cantando coisas estúpidas como “terra dourada”, “sêo Penhor” e quetais. E hoje o Brasil estréia na Copa, e o povo todo está imbuído de nacionalidade, emoção e verde-amarelo como nunca. Nada contra: eu já estou com a minha camiseta, fui uma entusiasta da pintura da rua com a inscrição "Rumo ao Hexa" e pretendo enfeitar toda a casa. Mas será que dava para continuar com a empolgação patriótica depois também? O país (que não é só do futebol) agradece. Clara McFly às 11:38 AM |
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