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Meus amigos da internet Tudo começou pouco depois do dia 11 de setembro de 2001. Eu estava navegando tranqüilamente, passeando por histórias do ataque que detonou dois aviões contra as torres de Nova York, quando apareceu no cantinho inferior da tela o envelopinho amarelo. Minha caixa postal recebera uma nova mensagem. Ela continha um aviso, algo como “foi achada uma câmera entre os escombros do World Trade Center; quando os policiais revelaram o filme, olhe o que encontraram”. A seguir, lá estava a foto de um turista – daqueles bem típicos, de óculos escuros, gorrinho preto e mochila nas costas, posando no topo do WTC. Ao fundo, um tenebroso avião vinha em direção ao prédio. Levei três segundos para concluir que a foto era uma montagem porca. Mas, em tempo bem menor, alguém sacou o humor implícito na coisa toda e começou a onda do Tourist Guy: recortaram o carinha em algum programa de tratamento de imagens qualquer e passaram a colá-lo em todo e qualquer desastre histórico. Apareceu o Tourist Guy a bordo do carro que levava John Kennedy naquele fatídico dia em Dallas. No campo onde se desmanchou em chamas o dirigível Hindenburg. Na frente do Concorde que pegou fogo na decolagem. No deck do Titanic. Ê sujeito asa-negra, sô! Logo, as mentes criativas dos internautas alcançaram um novo nível de piadas, que eu classificaria como “vamos chutar o pau da barraca de uma vez”. Então vieram fotos do já famoso Tourist dirigindo o ônibus de “Velocidade Máxima”, andando ao lado dos seis amigos de “Friends” e ouvindo a conversa entre Neo e Trinity em “Matrix”, sempre com aquela cara impassível. Também valia trocar o avião que vinha atrás por qualquer coisa, de Caco, o Sapo ao Monstro de Marshmallow de “Os Caça-Fantasmas”. Demais. Hoje, o Tourist Guy é um “vintage” das celebridades internéticas. Mas ele abriu as portas para outras figuras desfrutarem de seus quinze minutos de fama via bytes. Taí Katilce Miranda, a nova estrela do momento, que não me deixa mentir. Katilce foi a sortuda filha-da-mãe escolhida pelo Bono, vocal do U2, para subir ao palco, dançar com ele e ainda ganhar um selinho. Todas as garotas (e garanto que alguns rapazes também) que viam o show no estádio ou pela TV suspiraram de inveja. No dia seguinte ao show, repórteres entrevistaram a moça e descobriram seu nome completo. Desconfio que demorou menos de um suspiro de inveja para que alguém procurasse o nome, pouco comum, no orkut. Bingo! Ela estava lá. Resultado? Uma onda de recados (enquanto escrevo este texto a marca está em mais de 2 milhões) e a criação de mais de mil comunidades sobre a Katilce: “Katilce para presidente”, “Katilce With Lasers” e “Uno... Dos... Tres... Katilce!” são algumas. Entre o sujeito no topo do World Trade Center e a moçoila escolhida pelo irlandês, uma série de outras figuras ganharam popularidade na passagem de e-mails e na transferência de bytes. Você pode nem se lembrar de alguns; afinal, a velocidade da informação pela net torna possível que as comunidades de internautas construam e derrubem tais personagens num piscar de olhos. Mas aposto que, ao reler sobre eles ou pousar os olhos nas fotos, o caro leitor há de ver acender uma luzinha na memória e soltar um “é mesmo, olha aquele fulaninho!” Ruth Lemos, conhecida pela alcunha de Ruth Sanduíche ou, ainda, Ruth Sanduíche-íche-íche, era uma pacata nutricionista e professora universitária até o dia em que foi dar uma entrevista para a Globo. Como estava usando um ponto eletrônico, Ruth ouvia o fim de suas próprias palavras em eco. Assim, começou a repetir suas sílabas finais. O resultado fez com que ela parecesse gaga. Ou louca. Ou em buffering. Ou tudo junto. Veja o vídeo aqui. William Hung fez uma performance de arrepiar nas preliminares do terceiro “American Idol”. Ele cantou “She Bangs”, do cantor-e-amante-latino Ricky Martin, de uma maneira, digamos, bem particular. Sem a menor noção de ritmo, afinação ou dança, Will foi sumariamente chutado pelo programa. Mas como no entretenimento tudo se aproveita, ele ficou famoso mesmo assim. Hoje tem website e gravou um álbum. Acho que, então, eu também posso fazer um. Saiba o que é auto-confiança aqui. Paula Oliveira só queria debutar, coitada. Mas deve ter ficado nervosa demais antes do grande dia em que seria apresentada à sociedade – isso em pleno século 21. E talvez, quem sabe?, apanhou algumas pílulas da mamãe. A receita era forte e Paula, a pobre, acabou saindo em TODAS as fotos do seu aniversário de 15 anos com a mesma cara. Como desgraça pouca é bobagem, tinha um site meia-boca de eventos cobrindo a festa. É impressionante. Tem uma montagem com as agora raras fotos de Paula (provavelmente foram retiradas rapidinho da net pelo papai) aqui. Jeremias tomou uns gorós a mais e saiu pilotando sua moto. A polícia provavelmente salvou sua vida (ou a dos transeuntes que dariam o azar de cruzar com ele) ao pará-lo e prendê-lo. E um repórter tornou-o famoso ao topar com a criatura, bêbada feito um gambá, nos corredores da delega. A primeira e a segunda entrevistas (sim, porque Jerê foi pego encharcado de novo) são o maior papo de bêbado e renderam um funk sensacional, para ser ouvido de novo e de novo, até que a próxima celebridade apareça. Veja e ouça o Jerê, numa cortesia do Kibe Loco. ![]() O pioneiro era onipresente
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