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De onde vem a rotina ... e então o despertador, inventado pelo americano Levi Hutchins em 1787, dispara às sete da manhã e enche seu quarto com aquele alarme irritante. Apesar disso, você reluta em se levantar. “Por que a cama, de cujo conforto os faraós já usufruíam há vários mil anos, está sempre mais quentinha e aconchegante justo na hora em que precisamos sair dela?”, você se pergunta. Obviamente a resposta não vem. Você levanta devagar e vai até o banheiro, fazer o primeiro xixi do dia. Dá a descarga, creditada ao engenheiro sanitário inglês do século XIX Thomas Crapper, mas que também pode ter sido inventada por Alexander Cumming em 1775. Seu estômago ronca. Faminto e obediente ao chamado, você segue para a cozinha e pega leite, maçã e cereais para fazer uma vitamina no liquidificador, graças a Stephen Poplawski que criou o primeiro deles em 1922. Pronta a vitamina, você se senta à mesa e alcança a bolacha mais próxima. É recheada, bem diferente daquela massa crocante de água e trigo que os egípcios um belo dia resolveram fazer. Enquanto desfruta do seu café da manhã, vai lendo o monte de desgraça no jornal. As manchetes deveriam ser outras na Roma de 59 a.C., quando o primeiro folheto de notícias foi autorizado por Júlio César. Será que naquela época já tinha a coluninha com o horóscopo? A barriga está cheia, mas o sono continua. O jeito é entrar debaixo da ducha e ficar bem limpo – assim como queria o médico-chefe de uma prisão francesa que criou o dispositivo para os detentos se banharem em 1872. Aproveita e lava a cabeça com o xampu que, apesar de ter sido inventado na Alemanha em 1890, só começou a ser vendido para esse fim após a Primeira Guerra Mundial. Depois do banho, é hora de se enxugar, passar o desodorante antitranspirante criado nos EUA em 1888, vestir-se e escovar os dentes com a escova surgida na China do século XV. Só lhe resta entrar no carro e enfrentar o trânsito até o trabalho. São vários e longos minutos de pura chateação, fumaça, motoboy, xingamento. O negócio é botar para tocar aquele CD de sua banda favorita e agradecer a Joop Sinjou, da Philips, por ter comandado a equipe que criou o equipamento de leitura a laser em 1979. Quando chegar ao prédio do escritório, agradeça também a um sujeito chamado Elisha Graves Otis que fez você não precisar subir 10 lances de escada. Ele inventou e inaugurou o elevador de passageiros em 1857. Basta entrar no escritório e receber uma massa de ar frio que provavelmente é o culpado por muitos dos resfriados que você anda pegando. Se quiser mandar a conta dos remédios e da vitamina C, pode selar uma carta ao americano Willis Carrier, a mente que criou o ar-condicionado moderno em 1914. Ou esqueça a reclamação e localize logo o seu computador, porque a hora já está avançada e a dupla formada pelo engenheiro John Presper Eckert Jr. e pelo físico John William Mauchly não trabalharam no aparelho por tantos anos para você desdenhá-lo assim. Sua hora de almoço foi passada no escritório, mas mesmo assim você precisa sair e enfrentar o banco para pagar uma conta de luz atrasada. A fila é gigante, os caixas são lentos e você imagina que nada deve ter mudado desde que o primeiro recinto do gênero foi aberto na Mesopotâmia, há cinco mil anos. Na saída, ainda por cima, você nota que o céu ficou cheio de nuvens pretas. Como esqueceu no escritório o guarda-chuva, acessório introduzido pelo inglês Jonas Hanway no século XVIII, você dá aquela corrida. Mais algumas horas de trabalho. Você olha o relógio de pulso, idéia do brasileiro Santos Dumont que foi confeccionada pelas mãos de um amigo do aviador, o francês Cartier, em 1904. Finalmente falta pouco para o fim do expediente. O negócio é fazer várias visitas à cafeteira da cozinha. Que os céus abençoem o expresso e o italiano Achille Gaggia que inventou a máquina em 1946. Mais um pouquinho de paciência e... pronto, hora de ir embora! Antes de dar a partida no carro e seguir para casa, porém, você pega seu celular, desenvolvido pela empresa suíça Ericsson em 1979, e combina um programa com os amigos. Primeiro, a turma vai comer uma pizza redonda, prato criado em 1889 por Rafaelle Espósito. Depois, compram ingressos para o cinema cheio de salas, com som estéreo e poltronas reclinadas, mais evoluído do que aquele inventado por Auguste e Louis Lumière no século XIX. Escolhem a última sessão da noite. Afinal, o dia seguinte é sábado. A melhor invenção de todos os tempos. Vivi Griswold às 09:07 AM |
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