sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Coisas de novela

- Douglas, como era mesmo o nome daquela novela em que eles pisavam o cacau?
- Hum... Quem tinha mesmo?

- Era aquela em que o Guma era o filho desprezado do Antônio Fagundes, mas na primeira fase o Antônio Fagundes jovem era o coronelzinho, representado por outro ator. E o inimigo dele era o Herson Capri. E tinha a Teresa Batista, que era mulher do coronelzinho e filha do Zé Esteves, lembra? Ela amarrava os peitos porque o Zé Esteves mandava. Aí, teve uma coisa gozada: passaram-se anos e o menino virou o Antônio Fagundes, mas o Herson Capri continuou o... Herson Capri. Acho que ele deve ter encontrado uma dobra de espaço-tempo, sei lá.

- Ah, é mesmo! E tinha aquele cara que trabalhava nas terras dele e criava um cramulhão na garrafa! Como era mesmo o nome dele?

- Tião Galinha. E a mulher dele era a JoAAAna, com o Á do meio pronunciado bem aberto. Ele chamava ela de “JoAAAninha”. E o Herson Capri tava só de olho na mulher... Mas em outra novela, o Tião Galinha saia voando para a lua. Aí, o nome dele era Sérgio Cabeleira, porque ele era careca. De que novela ele era mesmo? Eu tenho um problema com essas novelas regionais. Para mim, todas elas se amalgamaram numa só, chamada “Fera Renascida do Gado Sobre Pedra Indomada”. Hum... O Cabeleira não morava no mangue?

- Sei lá. Mangue, para mim, já é de “Tieta”.

- Ah. É, tá certo. Mangue Seco! Era onde morava a Teúda e Manteúda do Modesto Pires, da qual o Osnar também se servia, por assim dizer. Mas o Modesto Pires não tinha uma fábrica de medalhas? E era casado com quem mesmo? Puxa, não lembro quem era a mulher dele. Era a Juraci, aquela que tinha mania de limpeza? Opa. Peraí. Não, a Juraci era mulher do Matoso!

- Clarissa, o Matoso é da “Vamp”.

- Sim, claro, mas antes dele se casar com a Mary Matoso, ela era professora de português daquele Gabus Mendes que falava “ô, anta!” e ele era “adevogado” em “Tieta”. Não lembra? Toda hora ele falava “data vênia” e essas expressões do tipo. E gritava: “Juraci, sai da janela!”. Porque a Juraci ficava só cuidando da vida dos outros e fofocando na janela. Mas no fim ela se liberou. Nem ligava mais se a Amorzinho botava calcinha da cor da paixão, se a Cinira tinha uns tremeliques ou se a Leonora casava com o prefeito – que, aliás, era o cara que escapuliu-se de avião dando uma banana para o Brasil.

- Hã?

- É, não lembra que a mulher dele matou a Odete Roitman? E ele sacaneou a novela toda, mas fugiu no final? É que a mulher dele, que era a Cássia Kiss, pensava que quem estava atrás do vidro era a Ruthinha. Ou a Raquel, aquela praga. Que vivia atormentando o Tonho da Lua. Que depois virou cego. E foi enganado pela Alicinha.

- Como?

- Aliás, a Ruth-Raquel vendeu a casa da mãe dela e se mandou para o Rio com o Boto! Aí a mãe teve que vender sanduíche na praia, mas depois acabou se dando bem e montou a Paladar, que servia refeições. Enquanto isso, mesmo dormindo com o Boto, a Ruth-Raquel casou com o mesmo Gabus Mendes – ele já não era mais mecânico, agora era rico. E irmão da bêbada. Menino, era um pavor. Roubar a gente perdoa, matar a gente perdoa, enganar a gente perdoa. Mas mexer com a mãe, aí não!

- Hum?

- Sorte que a mãe dela já tinha vivido numa fazenda, com o Sinhozinho Malta, lembra? Mas isso foi antes dele arranjar um chapéu amassado, virar camponês e ficar repetindo “ieu?!” insistentemente. Coitado, deve ter batido a cabeça. Vai ver por isso depois ele continuou meio catatônico e só balbuciava “eu prefiro melão”. Enquanto isso, a Porcina se deu melhor: arrumou um negócio de sucata e ficou rica! Mas teve que comer o pão que o diabo amassou, viu. Porque a Laurinha implicava com ela que só vendo. Teve a pachorra de se matar para incriminar a mulher! Coisas de Laurinha, como dizia aquele que era marido dela, mas já tinha sido prefeito de Sucupira...

- Ok, eu desisto.
- Tá. Mas a gente tava falando de outra coisa. Ah, sim! Como era mesmo o nome da novela em que eles pisavam o cacau?

guma.jpg
Depois o Guma virou até maestro
num filme, mas já pisou muito cacau...


Se você também é noveleiro, mas menos confuso que eu, clique aqui para ir ao Fórum e dizer, de uma vez por todas, qual era a bendita novela em que o Guma pisava o cacau!



Clara McFly às 10:16 AM

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Pipoca, telona, escurinho e
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No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
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