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Diversão é a solução, sim Gozado como a nossa idéia de diversão muda ano a ano. Ok, talvez não tão rápido quando você chega na casa etária em que me encontro: ano passado, eu achava o máximo passar a tarde borboleteando pelo Jardim Botânico ou pegar uma sessão de cinema maldita, daquelas depois da meia-noite – sem fila, empurra-empurra ou adolescentes conversando sobre quem pegou quem em “Malhação”. Esse ano... continuo achando. Mas há cerca de duas décadas, o que eu chamava de diversão era bem diferente. Aos quatro anos, diversão era a minha coleção de pinos mágicos. Meu Deus, que coisa genial era aquele brinquedo! E, como todas as coisas geniais, consistia numa idéia muito simples: pequenos pedaços de plástico encaixáveis. Eu podia passar horas montando casinhas, barcos, robôs ou simplesmente enfileirando os pinos, até que eles se estendessem num palito gigante que ocupava todo o corredor. Aos seis, não podia haver nada tão divertido quanto viajar para a praia e caçar os presentes de Natal. São atividades associadas porque a gente sempre passava as férias de verão – que incluem os feriados de final de ano – na casa de Bertioga. Minha mãe preparava pistas que continham charadas e missões; depois de tudo cumprido, a recompensa vinha embalada em papel celofane e fitas coloridas. Ao fim, nem importava muito o que os pacotes continham... Aos oito, ficar sozinha no apartamento de uma amiga comendo besteiras e assistindo “Viva a Noite”, seguido de “Comando da Madrugada”, era a glória. Os pais saíam para curtir o conceito de diversão deles (provavelmente jantar-e-cineminha-talvez-um-chopp) e deixavam a prole à mercê do Gugu e do armário de biscoitos, chocolates e balas disponível no apê. Noites inesquecíveis, nessa época da vida, se faziam com playmobils e uma caixa de mentex de sobremesa. Aos dez, meu grande objetivo de vida era jogar taco na rua até altas horas. Nessa fase, o grito de “tá na hora de entrar” proferido por minha mãe era a grande barreira entre eu e a diversão sem fim. Como tudo que é muito gostoso na vida precisa de alguma proibição para continuar sendo sensacional, havia a mãe chamando, as lições de casa e a escola no dia seguinte. Aos doze, divertido mesmo era passar a tarde comendo confeti e jogando videogame. Eu e minhas amigas passávamos a semana poupando a mesada para comprar uma caixa do confeito de chocolate, suprindo assim as necessidades criadas por um sábado inteiro de “Alex Kidd in the Miracle World” ou “Castle of Illusion”. Também tinha “Jogos de Verão”, mas eu era muito ruim no footbag. Aos catorze, veio a virada: o melhor lugar para se divertir não era mais nossa casa, nem a rua. Havia que se ir longe, o mais longe possível. Onde? No shopping, claro. Quer diversão mais subúrbio-classe-média que essa? Uma vez nos corredores do grande centro de compras, nada como patinar, ir ao cinema e gastar a suada economia da mesada em chicletes de melancia importados. Aos dezesseis, já tão próxima dos 18, ir ao shopping perdeu a graça – simplesmente porque eu podia fazer isso quando quisesse. Para dar um passo adiante no desafio do divertimento sem fim, o que pegava era sair com os amigos “das dez às quatro”. Sim, porque danceterias e bares “das oito à meia-noite” já eram permitidos, então, perderam a graça. Mas voltar para casa de madrugada... isso sim era diversão! Quando fiz dezoito... bem, aí eu podia passar quantas horas quisesse montando pinos mágicos; comprar presentes de Natal para mim mesma; sair do supermercado com o carrinho cheio de guloseimas; jogar taco doze horas seguidas; baixar um emulador de Master System no PC e brincar até dizer êpa; entrar e sair do shopping quando eu quisesse e passar a noite fora de casa. Resultado? Tudo isso perdeu boa parte da graça. Hoje, meu conceito de diversão se espalhou em uma porção de coisas: encontrar os amigos para jogar conversa fora, pegar um cinema vez em quando, brincar com meu afilhado, jantar num restaurante bacana, viajar um pouco e até mesmo trabalhar – só porque amo o que faço. Mas, se me pilhar sozinha com um pacote de pinos mágicos, não respondo por mim. ![]() Eu chamo isso de diversão |
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