Observo a conta corrente e me sinto picando cebolas: os olhos vertem lágrimas. Não há verba sequer para um novo sapato, quanto mais para pedir aquela ajuda tão necessária, a de uma babá. Claro, minha bebê não dá trabalho e nem precisa de supervisão profissional. Apenas a mamãe aqui pode dar conta das refeições, sonecas, caquinhas, banhos, brincadeiras e que tais. Porém, se em um cenário fantástico eu precisasse de alguém para ajudar, já sei quem contrataria.
Os que responderam “a vovó” acertaram apenas em parte. Não teria coragem de surrupiar minha santa mãe de sua casa para vir aqui, cuidar do nono bebê desta família. Ela já passou por isso vezes demais. Hoje ganhou a carta de alforria e pode gastar o tempo em cursos de cerâmica e teatro ao cair da tarde.
Também não conseguiria contratar aquelas moças de uniforme branco. Elas têm sempre um ar angelical e fala meiga e me parecem muito doces – e olha que passam o dia correndo atrás de petizes nem sempre angelicais, meigos e muito doces. Vejo todas olhando os filhos do outros em corredores de shopping, restaurantes e parquinhos. Fico me perguntando se a mãe do pirralho, a mulher de cabelos alinhados, bolsinha e salto alto, conseguiria cuidar dele sozinha.
É possível que eu esteja sendo radical, uma mãe de 1920. Mas ter babá o tempo inteiro, fins de semana inclusos, parece exagero. Chega um ponto, imagino, que a genitora nem sabe se a criança dorme com chupeta ou dedo na boca. Até que um dia o garoto chora ao ver a mãe e corre para os braços da babá, o carinho mais conhecido. Pavor, pavor!
Mas tem dias em que eu bem poderia entregar Sabrina aos cuidados de uma boa alma dessas. Por algumas horas, quem sabe... Seria bom ir ao cinema sem pressa, participar de uma reunião sem alguém babando no ombro, passar no mercado sem ter uma macaquinha pendurada nos braços...
Como já disse, porém, a conta bancária anda de chorar, então não teremos ajuda tão cedo. Se o mundo da fantasia permitir, contudo, posso escalar um time de babás do barulho. Para esta turma eu entregaria meu bebê por uma tarde por semana. Quer dizer... Primeiro precisam passar pela entrevista de contratação. Porque só um tipo servirá.
Fran Fine
Onde mora: na finada série “The Nanny”
Método: faz de conta que pajeia os filhos enquanto garfa o pai bonitão.
Referências: Poderá distrair o bebê por horas, visto que o guarda-roupa de drag queen costuma chamar atenção da molecada.
Resultado: Dispensada. Não quero minha filha aprendendo a dar golpe em milionário e usando saias que mais parecem cintos.
Daniel Hillard/ Mrs. Doubtfire
Onde mora: no filme “Uma Babá Quase Perfeita”
Método: pai saudoso, finge ser uma senhora gorda para ficar com os rebentos.
Referências: não mede esforços para satisfazer os pequenos – e pode entretê-los comprando comida fora ou colocando fogo nos seios falsos.
Resultado: Dispensada (o). Tem medo que a bebê perceba aquelas pernas peludas por baixo da meia-calça e comece a fazer perguntas estranhas cedo demais.
Charlie Hinton
Onde mora: no filme “A Creche do Papai”
Método: não tem. Organizou um berçário em sua própria casa depois de perder o emprego.
Referências: veste-se de cenoura ou brócolis para que as crianças aprendam sobre boa alimentação.
Resultado: Dispensado. Se Eddie Murphy decide voltar a ser o policial Jarrel, de “O Rapto do Menino Dourado”, vou encontrar Sabrina no Nepal, levitando folhinhas.
Frau Maria
Onde mora: no filme “A Noviça Rebelde”
Método: cantar. Canta ao ficar triste, canta ao ficar feliz, canta para passar roupa, canta toda a droga do tempo.
Referências: transforma seis crianças chatas, reclamonas e mal-criadas em um coral.
Resultado: Dispensada. É bom que saiba organizar teatro de fantoches e ensinar música, mas chega uma hora que queremos dormir. E ela vai continuar cantando, a mala.
Mary Poppins
Onde mora: local desconhecido. Mas ela chega no horário, com o vento leste.
Método: suspeito. Não explica nada claramente e usa metáforas como “uma colher de açúcar ajuda o remédio a descer de modo delicioso”.
Referências: já foi vista levando petizes para brincar dentro de um desenho e inventando palavras. Alguém sabe o que é “supercalifragilisticoespialidoucious”?
Resultado: Dispensada. Deve consumir substâncias proibidas. E se eu nem tenho grana para contratar babá, que dirá para instalar câmera de vigia.
James Ubriacco
Onde mora: no filme “Olha Quem Está Falando”.
Método: sensacional! Dança, canta, sapateia e permite que a sopa seja cuspida longe, de pura farra.
Referências: já perdeu uma criança aqui e outra ali, mas é um taxista danado de esperto. Ou um babá danado de esperto.
Resultado: Contratado. James tem um estilo todo próprio de cuidar de bebês. E dá asas para a imaginação da neném voar e pensar as coisas mais hilárias. Isso é babá da boa. Do bom.
E James 'Travolta' ainda pode ensinar o twist!