quarta-feira, 6 de julho de 2005

Bye bye, Ofélia!

Foi-se o tempo da Ofélia, aquela senhora gorducha que fazia pratos bonitos na televisão. O cabelo modelado com laquê, a manicure perfeita, o avental sem respingos de massa de bolo já eram. Ficou para trás o modo de ensinar receitas sem sujar as mãos e mandando a pobre ajudante fazer todo o trabalho melequento. São passado os ingredientes complexos, as tortas confeitadas e os preparativos que duram dias. E isso não tem nada a ver ao fato de Ofélia já ter falecido há anos – essa revolução nos programas culinários, na verdade, se deve a um inglesinho chamado Jamie Oliver.

Você já deve tê-lo visto na tela da TV por assinatura ou na capa de seu livro recém-lançado no Brasil (e que está vendendo que nem pão quente): trata-se de um jovem rapaz, de cabelo espetado, cara de integrante de boy-band e que cozinha em ambientes longe de serem claros e imaculados vestindo camisetas de banda. Nada de chapéu de chef ou aventais impecáveis. Aliás, a palavra “impecável” não se encontra no vocabulário de Jamie: a culinária que ele se propõe a ensinar é aquela com sabor e visual, porém sem frescuras e floreios. Parece lógico, não?

Com o pai dono de pub no interior da Inglaterra, Jamie Oliver ficou encantado pela cozinha desde criança, mesmo com seus coleguinhas tirando sarro e dizendo que aquilo era coisa de menina. Tanto foi que, aos 16 anos, ele resolveu dar adeus à escola tradicional e se pôs em uma aventura gastronômica na França. Quando retornou ao seu país, ele conseguiu emprego em um restaurante italiano renomado – o que era incrível para um garoto ainda na adolescência. E foi por causa de um documentário na cozinha de outro restaurante em que trabalhou que os holofotes descobriram o talento do rapaz.

Por Jamie ser o macote loirinho da turma, os produtores acharam engraçado o empurrar para frente das câmeras. O que não esperavam era que ele se desse bem. Tão bem que, no dia seguinte do programa ir ao ar, cinco diferentes produções ligaram para o jovem querendo conversar sobre uma possível atração só dele. Assim começou a série “The Naked Chef”, termo que não significa que Jamie ensinava os pratos pelado, mas que sua cozinha era desnuda de qualquer ostentação.

A cada episódio, o mocinho ensina uma entrada, um prato principal e uma sobremesa. Normalmente, ele aparece cozinhando para eventos de amigos e familiares – desde o batizado do sobrinho até um jantar para colegas que estão de saco cheio de comer sanduíche todos os dias. Jamie prega que o mais importante na confecção dos pratos são os ingredientes frescos. Nos armários, apenas os utensílios básicos como uma boa panela (“boa” equivale a “pesada”), frigideira funda, pilão e colher de pau. O resto é improviso.

Eu, telespectadora e fã assumida, tenho absoluta certeza de que Jamie não cozinha com receita decorada na cabeça. Em seu programa, não há aqueles famigerados potinhos com a medida certa de cada componente. Se vai azeite, por exemplo, lá vem o serelepe chef com a garrafa e começa a botar o óleo amarelado sem dizer “três colheres de sopa bem cheias”. Ele vai botando até parar. Daí muda de idéia e põe mais um pouco. É tudo de olho mesmo. E aí está o motivo de seus seguidores se identificarem tanto.

Meu episódio favorito foi o que ele derrubou um dos maiores mitos modernos e provou que comida pronta e congelada (daquelas que a gente compra em supermercado e tem gosto de plástico) não é mais rápida e mais prática do que uma comida caseira. Fez um lindo e apetitoso macarrão com molho de tomates cerejas e ervas, acompanhado por salmão grelhado, em 10 minutos – 15 a menos do que o pacote da lasanha pregava ser o tempo para assá-la.

Como se a louvável missão de abrir os nossos olhos para uma cozinha divertida e saborosa já não garantisse a ele um terreno generoso no céu, Jamie também dedica seu tempo a projetos assistenciais. Em um deles, o jovem acolhe 15 pessoas, entre desempregados e sem-teto, e lhes ensina sua arte para que consigam bons empregos. Ele já está em sua terceira turma. Além disso, encabeça um movimento na Inglaterra chamado “Feed Me Better” (“Alimente-me Melhor”), para que as escolas dêem lanches saudáveis aos alunos, ao invés de batata frita com ketchup.

Não que batata frita com ketchup seja ruim. Mas eu trocaria fácil essa iguaria por qualquer outro prato feito por Jamie.

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Go, baby, go!

Vivi Griswold às 10:28 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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