segunda-feira, 4 de julho de 2005

Duro de seguir

Virar adicta, para mim, é fácil. Ei, mas não de substâncias ilícitas, claro... Vicio mesmo é em programas de TV. Segunda-feira largo tudo para ver “Lost”; às terças me apego em “The Amazing Race” e “O Desafiante”; quarta não sossego até saber quem foi demitido por Donald Trump; quinta grudo na tela por “Desperate Housewives” e, mais tarde, pelo australiano “Entre Quatro Paredes”; nos demais dias da semana, eu descanso, pois nem sempre se pode ser deus. Mesmo assim, existem seriados impossíveis de engolir. Até para esta lata de lixo televisivo aqui.

Já fui de acompanhar “Três é Demais” – aquela série onde nasceram as irmãs Olsen – escondida das demais pessoas da casa. Isso porque não há forma mais fácil de destruir uma reputação. Se me pegam vendo “Gilmore Girls”, “Dawson’s Creek” ou a reprise de “Miami Vice”, mudo rápido de canal ou finjo estar zapeando. Ninguém precisar ser conhecida como “aquela que torce para a Joey ficar com o Pacey”.

Curioso é que algumas iguarias criadas para a telinha simplesmente não descem por essa garganta. E eu pensava que, depois de seguir duas temporadas de “Charmed”, poderia suportar de tudo.

Estou para entender como alguém tolera estes dez seriados bestas, sórdidos, xaropetas, chatos, feios e bobos.

Everwood
No começo, achei que se tratava de uma história sobre almas penadas – já que toda a família vive com cara de defunto. O menino adolescente consegue ter 18 crises existenciais por episódio. Tenho ganas de mergulhar aquele moleque no melado, rolá-lo no milho e dar aos pombos.

8 Simple Rules
Segundo o script do seriado, o excelente comediante John Ritter deveria ser um pai cioso de suas filhas, mas muito engraçado e sarrista. Ele era, até falecer no ano passado. Cancelar o show? Que nada, meteram mais dois personagens e seguiram em frente. Ficou embaraçoso.

Frasier
Se o programa chamasse “Niles” e desse ênfase ao irmão do protagonista, eu poderia até gostar. Já com Kelsey Grammer, o filhote-de-George-Bush, encabeçando o elenco, assistir à serie é quase como tomar um porre de tequila, dançar rumba a noite toda e dormir com a boca na sarjeta.

O Quinteto
Originalmente, chamava-se “Party of Five”. Até hoje não sei onde era a tal “festa”, porque os cinco irmãos órfãos tinham a animação de agentes funerários. O mais velho era gatão, mas ficava impossível prestar atenção nisso com a Neve Campbell choramingando ao lado dele. E a coisa ainda gerou um spin-off com a Jennifer Love-Hewitt! Desliguem meus aparelhos, sim?

The Shield
Quem for ao cinema por esses dias há de encontrar com o herói desta série, Michael Chiklis, interpretando a Coisa em “Quarteto Fantástico”. Bom, “A Coisa” também seria um bom nome para o seriado, sobre um policial corrupto e safadão. Com esse enredo, não dá no mesmo assistir “Cidade Alerta”?

Buffy, a Caça-Vampiros
Os fãs de Sarah Michelle Gellar podem atirar suas latinhas agora. Mesmo virando alvo, não posso deixar de dizer: enquanto essa besteira esteve no ar, eu torci loucamente para algum senhor das trevas picar a insuportável Buffy em cubinhos e guardá-la no freezer junto com o espinafre.

Early Edition
O perfeito exemplo de um bom argumento transformado em péssimo seriado. O sujeito encontra todos os dias, em sua porta, um gato sentadinho sobre um jornal mágico com as notícias do dia de amanhã. De posse dos fatos, ele salva pessoas e faz justiça. Mas é chaaaaato... O gato podia fazer caquinha em cima do periódico e nos poupar daquele marasmo.

Joan of Arcadia
Uma garota que fala com deus e, em meio às transformações da adolescência, precisa lidar com seus pedidos e ensinamentos. Criatividade, nota 10! Drama, nota 136! Se fosse um pouquinho mais engraçada e um tanto menos apocalíptica, seria um achado.

O Toque de um Anjo
A parceira de site Clarissa é fã confessa. Como eu gosto muito da minha amiga, tento ser compreensiva e entender por que, raios múltiplos, ela acha graça em um show onde todo mundo fala por metáforas sussurrantes como “na vida nós temos que provar o gosto amargo que fica depois do mel”. Ah, vai se catar, parece o Mestre dos Magos depois de entornar oito pingas!

Sex and The City
Agora eu sei que nove em cada dez meninas enquadradas na faixa etária dos 18 aos 30 anos vão querer espetar minha cabeça no alto de um poste. Mas eu juro que tentei, de coração aberto, assistir a esta premiadíssima série. Só o que vi, porém, foi um retrato malacabado e estereotipado de mulheres americanas desnorteadas. Loucas por atenção, sexo e sapatos, elas falam demais e usam bolo de chocolate como se fosse heroína! Fiquei com medo de entrar em depressão pós-série. Deste vício, eu não preciso.

Nota: O argumento “você não gosta porque não viu muito” não cola. Assisti a alguns episódios de todas essas séries. Mesmo que, para isso, tenha precisado de caixas de lenços de papel, doses de uísque, durex para as pálpebras e várias ligações para o CVV.

sex_and_the_city_cast.jpg
ZZzzz... Elas já pararam de tagarelar?
Não? Ok... ZZzzz

Fla Wonka às 10:33 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold