sábado, 25 de junho de 2005

Por onde andei

Quando eu somava pouca idade, achava simplesmente o máximo uma ida ao sítio do meu avô, em Sorocaba. Costumava também perder o sono às vésperas da visita aos primos que moravam em Piracicaba. E ainda contava os dias, ansiosa, para passar uma temporada praiana na casa da minha avó, em São Vicente. Os trajetos eram curtos e os lugares, conhecidos – mesmo assim, alguma coisa me dizia que viajar podia ser emocionante.

Aos 10 anos, fui arrastada pelos meus pais para uma excursão européia em família. Mas a única cena que ficou guardada na memória foi a chegada em Roma: estávamos seguindo para o hotel quando, de repente, o ônibus fez uma curva. Da janela, vi o Coliseu aparecer, igualzinho às fotos dos livros de História. Ali eu senti que viajar não é só emocionante. É preciso. Seja para o interior paulista ou para uma cidade milenar.

Deve ter sido naquele momento que o espírito mochileiro se apossou do meu ser. Desde então, tenho caído na estrada sempre que o dinheiro possibilita a empreitada. E nessa deliciosa forma de entrar no vermelho no banco, já vi algumas maravilhas...

1) Cataratas do Iguaçu, Brasil/Argentina
Seja do lado argentino ou do lado brasileiro, a quantidade de água emociona. A tal da Garganta do Diabo, a queda mais impressionante de todas, faz um barulho ensurdecedor – e dá a maior vontade de fazer xixi. Em volta, muita natureza para ver: bromélias, colônias de borboletas coloridas e até revoadas de tucanos.

2) Fez, Marrocos
De repente, parece que você caiu em uma seqüência de “Star Wars”. Fez, um povoado medieval totalmente murado, lembra as cenas no deserto com o Povo da Areia não apenas pela coloração clara das construções, mas por aquelas roupas que deixam apenas os olhos das mulheres à mostra. Dá medo, mas é inesquecível.

3) Bath, Inglaterra
Há 2000 anos, os romanos resolveram fazer da cidade inglesa um spa. Aproveitaram a água quente que brotava do chão e criaram piscinas, saunas, salas de relaxamento, tudo decorado por estátuas e mosaicos. Em volta do complexo, campos verdes e casinhas que parecem ter sido criadas para bonecas.

4) Ouro Preto, Brasil
Como as fotos turísticas costumam mostrar apenas a Praça Tiradentes, achava que Ouro Preto não passava muito daquilo. Quase caí para trás quando cheguei e vi que as ruelas de paralelepípedo, os casarões e as igrejas seguem até perder de vista. E a comida? Um lugar para ir e não querer voltar.

5) San Pedro do Atacama, Chile
No meio do deserto de Atacama está um amontoado de casinhas chamado San Pedro. Não há asfalto, as construções são de argila e a eletricidade chegou há poucos anos. O banco mais próximo está a quatro horas de distância. Ironicamente, há cafés com Internet e ótimos restaurantes. E um céu estrelado...

6) Glaciar Perito Moreno, Argentina
Nunca imaginei que um mundaréu de gelo poderia me tirar o fôlego. Mas Perito Moreno tem 195 km2 de extensão e pelo menos 30 mil anos de idade. Em dias ensolarados, como o que eu tive a sorte de estar, ele fica completamente azul. Vontade de pegar a groselha e fazer uma raspadinha pré-histórica!

7) Pompéia, Itália
Dizem que, no século 18, um comerciante resolveu cavar um poço no local e descobriu uma escadaria. Quando arqueólogos chegaram, viram que debaixo do solo havia ruas, casas, praças e até estádios, tudo soterrado devido à grande explosão do Vesúvio. É o que mais se assemelha a uma cidade fantasma.

8) Machu Picchu, Peru
Machu Picchu é ainda um grande mistério. Não se sabe qual era sua função real. Também há dúvidas sobre o motivo da escolha daquele local específico, e sobre como os incas conseguiram levar tanta pedra lá para cima da montanha. Com tanta beleza ao redor, porém, teorias e dúvidas são o que menos importa.

9) Alhambra, Espanha
Ele é conhecido como o maior monumento mouro da Andaluzia, região no sul da Espanha. Mas o palácio Alhambra, em Granada, é, fácil, uma das coisas mais lindas em que já botei os olhos. Salas com paredes esculpidas e jardins floridos cheios de fontes compõem a construção que toma um dia todo para visitar.

10) Luxor, Egito
A antiga capital Tebas é o lar de templos como Karnak, do Vale dos Reis, da tumba de Tutancamon. Desde que eu peguei um livro de História pela primeira vez, sonho em ir para o Egito. Completei meu sonho pela metade: fui para Luxor, mas ainda falta o Cairo. Melhor assim. Tenhos motivos de sobra para voltar.


egito.jpg
Esfinge, querida, me aguarde!


Vivi Griswold às 11:12 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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