Quando junho chega, meu coraçãozinho já começa a bater forte. Não apenas por ser o mês de meu natalício. Ou por marcar o início dos dias mais amenos, das brisas mais geladas, dos céus mais azuis e das noites mais aconchegantes e românticas. Na verdade, o que me faz amar esta época do ano acima de qualquer outra são as festas juninas e todas as suas cores, sabores, sons e cheiros.
Sendo uma garota que odeia Carnaval, não liga para o Natal e nem se abala pelo reveillon, é nesta comemoração popular de meio de ano que eu me esbaldo. E tem sido assim desde criança – é claro que 95% de meus aniversários tiveram o tema caipira, já que a estação pedia. Ao invés de brigadeiros e beijinhos, a mesa tinha pé-de-moleque, cocada e arroz-doce. No lugar dos Ursinhos Carinhosos, lá estava Chico Bento e sua turma.
Também estudei em uma escola famosa na cidade por sua grande e tradicional festa junina. A cada ano, me estapeava para poder participar ao máximo do evento. Vendia rifa, fazia bandeirolas, ensaiava a dança e, no grande dia, estava tinindo para gastar a sola do sapato de fivela correndo para lá e para cá (e parando quieta apenas para comer os quitutes da barraca). Era a primeira a chegar e a última a sair.
São essas imagens saudosas que me vêm à cabeça quando junho chega. E, com elas, todos os motivos para eu ser uma grande entusiasta das festas do santo chamado João!
1) Quadrilha
Outro dia estava no supermercado e a música ambiente era o tema clássico da quadrilha. Não é que me peguei fazendo passinhos tímidos na gôndola de produtos de limpeza? Fazer o quê, parece que está no meu sangue! Participei de diversas quadrilhas e sei o quanto é divertido pular na hora do “Óia a cobra!”.
2) Toca do coelho
Uma das minhas brincadeiras favoritas da quermesse: consiste em um pequeno espaço com várias casinhas numeradas. A pessoa escolhia um número e o coelho, uma vez solto, deveria entrar naquela casinha. Era difícil, mas uma vez eu ganhei e levei para casa um brinde bem tosco, tipo toalha de rosto.
3) Quentão
Eu não bebo cerveja, cachaça, conhaque, vodka ou uísque. Só vinho, mas precisa estar acompanhado de comida. “Sóbria” é meu nome do meio (tá, depois de “Meleca”). Mas não respondo por mim quando alcanço uma caneca daquela mistura quente e doce de pinga, gengibre, canela e cravo-da-índia!
4) Fogueira
Tudo bem: botar fogo em toras de madeira no meio de um monte de crianças endiabradas (e altas por conta do quentão e do vinho quente) não é lá a melhor das idéias. Sem contar o fato de que o cabelo fica cheirando a índio. Mas já viu festa junina sem uma? Não dá! Adoro me aninhar perto dela e pensar na vida.
5) Decoração
Na escola, éramos nós os responsáveis por cortar as bandeiras em papel de seda colorido e colar uma a uma em longos barbantes. Para esta amante de papelaria, o que mais poderia querer com esse tanto de material a meu alcance? Fazê-las era uma alegria, mas vê-las penduradas ao vento no grande dia era melhor ainda.
6) Doces
Primeiro, aquela pamonha quentinha que precisa ser desembrulhada com cuidado. Depois, um pedaço de bolo de fubá macio. Em seguida, um teco de pé-de-moleque e um de paçoca. Então, um pote com arroz-doce cremoso. Finalmente, uma linda e apetitosa maçã-do-amor para roer até em casa. Ah, meu cardápio favorito!
7) Correio Elegante
Será que ainda se usa fazer correio elegante em festa junina? Eu espero que sim! Afinal, nenhum e-mail ou torpedo de celular consegue substituir a emoção de receber um bilhetinho colorido. Eu sempre quis ser a moça que leva-e-traz os recados. Ela era bonita, bem vestida e levava serelepe uma cesta de palha.
8) Cadeia
Ficar presa na cadeia era meu pior pesadelo durante o evento, uma vez que o tempo não seria gasto em brincadeiras e comilanças. Fora que alguém precisava ir salvar a sua pele. Um horror. Mas esse costume sádico entrou na lista porque, cá entre nós, adicionava mais um tanto de emoção àquela noite estrelada.
9) Pescaria
A melhor brincadeira! Minhas moedas iam todas parar no bolso do tio da pescaria que, sorridente, me entregava uma pequena vara com um anzol na ponta. Daí era preciso concentração e mão firme para encaixar o anzol na argola do peixe de cartolina fincado na areia. Era ele quem ditava a prenda a ser ganha.
10) Roupa caipira
Muita gente torcia o nariz para se fantasiar de caipira. Mas não esta garota! Eu simplesmente amava botar vestido de chita, chapéu de trança e ainda arrematar com pintinhas no rosto. Era como um passaporte para poder aproveitar em grande estilo todos os itens acima. E eu sinto falta de cada um deles!

Vivi - mas pode me chamar de Rosinha, sô!