Para você o título deste texto remeteu ao comercial daquele pequeno chocolate cuja caixa era impossível de largar? Então puxe uma cadeira e sente-se no clube dos telespectadores que, como eu, gravam na memória slogans famosos. Afinal, algumas das frasezinhas criadas por publicitários ficaram tão (ou mais) populares do que os produtos que elas tentavam vender – e, por isso, marcaram época.
Tudo bem que as danadas parecem grudar em nossa cabeça mais do que a nova música da Britney Spears que a MTV insiste em transmitir a cada meia hora. Sem falar que algumas são tão irritantes quanto a loira pop: aquele tal de “A cerveja do nã nã nã nã”, para dar um exemplo recente, me doía nos bagos. E olha que eu nem os tenho.
Mas vamos nos ater às jóias da propaganda, responsáveis por ultrapassar a barreira quadrada da telinha, aterrissar em nosso cotidiano e virar grandes conhecidas do público. Você, aí do clube, com certeza recordou-se de “Quem pede um, pede Bis”. E, portanto, também vai puxar pela memória aquele outro slogan que dizia assim...
Vale por um bifinho
Foi a maneira oficial de convencer nossas mães de que um pote de Danoninho não apenas alimentava, mas enchia o estômago e ainda fazia bem à saúde – facetas essas das quais ainda duvido um pouco. Mas quem não preferia comer o queijo petit-suisse sabor morango a mandar ver em um bife de fígado?
Existem 1000 maneiras de preparar Neston
A propaganda era estrelada por um garoto simpático que hoje é conhecido carinhosamente pela alcunha de “Rafael Pilha”. Pois naquela época ele ingeria substâncias mais naturais (pelo menos, no comercial) e botava no liquidificador banana, maçã, mamão, pêra, kiwi, jaca, carambola e, claro, colheres de Neston.
O caldo nobre da galinha azul
Ou o tablete salgado sabor legumes dá barato, ou o pessoal da Maggi tomava Fanta Uva no café da manhã. Como alguém escolhe uma galinha para ser o símbolo do produto? E, como se não bastasse, a ave era azul. Bem, melhor do que um panda pink, um elefante roxo e um orangotango cor de berinjela, né?
Coca-cola é isso aí
Esse é o slogan da minha infância: ficou no ar em todas as publicidades do refrigerante de 1983 a 1989. Na verdade, além de ser de longe o mais legal já usado pela Coca-Cola, era bem apropriado para algo que possui uma “fórmula da fantasia”. É isso aí. E ponto. Muito melhor do que “Pegue sua vibe”. Ora, pegue a sua!
It's all
Nos anos 80, Tina Turner era uma estrela famosa, endinheirada e mega-cool. Tanto que virou garota-propaganda da marca de tênis All Star. Confesso que comprei o meu primeiro par, rosa-bebê de cano alto, por causa da Tina. Pois naquela década, e ainda hoje, ter o calçado de lona no armário era... tudo.
O mundo gira e a Lusitana roda
Não sei se a propaganda da marca de caminhões de mudança era veiculada nos quatro cantos do Brasil. Mas, pelo menos aqui em São Paulo, todo e qualquer intervalo dos programas do SBT transmitia a pérola. Eu me lembro dos homens da Lusitana embalando cuidadosamente copos e taças de cristal. Um clássico.
Nós viemos aqui pra beber ou pra conversar?
Algo aconteceu no universo. Talvez, a santa protetora dos telespectadores cansados de comerciais chulos de cerveja estava em um dia de graça. Só sei que esse mote da Antarctica vinha acompanhado de uma propaganda bacana – sem mulher pelada, sem praia, sem futebol, sem carrões e sem 150 Ivetes Sangalo!
É impossível comer um só
Impossível mesmo é lembrar de slogans famosos e não citar o da Elma Chips. A frase simples, direta e divertida marcou tanto que virou até comédia na “TV Pirata”. Em um dos quadros, Cláudia Raia comia o quitute sabor dobradinha com jiló. Fazia uma careta e profetizava: é impossível comer mais um!
Parece, mas não é
Se minha cachola não estiver enganada, Denorex era um xampu anti-caspa, certo? Só que eu não consigo me lembrar onde exatamente se encaixava o slogan naquele comercial. O que diabos parecia mas não era? De qualquer maneira, o maldito pegou como catapora no jardim de infância, e todo mundo falava.
Não basta ser pai, tem que participar
Especialmente desenvolvido para maridos que adoram fazer filhos, mas depois deixam tudo nas costas das pobres genitoras. Na telinha, um pai era mostrado ensinando o rebento a andar de bicicleta. É claro que o moleque se estatelava no chão, e lá vinha seu atencioso acompanhante com a bisnaga de Gelol.
Energia que dá gosto
Quem tomasse um copo inteiro de Nescau – e fizesse aquele barulhinho com o canudo no final – podia escalar montanhas, descer correntezas bravias, saltar de pára-quedas e voar de balão. Pelo menos, era isso que mostrava a propaganda. Como eu nunca gostei de leite, porém, virei essa pata anti-esportes radicais.
O queijinho do coração
Competindo diretamente com o bife do Danoninho, estava o coração do Chambinho. O slogan fazia alusão ao formato da embalagem – e, portanto, tudo o que rodeava o produto era marcado por romance melado. Na propaganda, a canção “Carinhoso” era cantada por crianças meigas e proibida para diabéticos.
Desperta o tigre em você
Outro produto vitaminado que fazia maravilhas com aqueles que o comiam. Aparecia um garoto sonolento pela manhã. Na mesa do café, a caixa de Sucrilhos e o animado Tigre Tony (medo!) esperavam por ele. Após papar toda a tigela de cereal, o menino ganhava força para enfrentar os obstáculos do dia-a-dia.
1001 utilidades
Pense comigo: se o Bombril serve para limpar crosta de gordura da panela e para ajudar na captação das imagens da TV (no caso do aparelho contar com uma antena ruim), quais são as outras 999 utilidades da tal palha de aço? Por mais imaginativa que eu seja, não consigo chegar a um número tão alto. Coisa mais enganosa, viu.
Vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais?
Trata-se da charada mais complicada que a do ovo e da galinha. Pior é que eu ficava realmente intrigada com a resposta, e admito ter perdido alguns preciosos minutos da minha infância matutando sobre o dilema Tostines. Eis um tempo que não voltará. Que eu poderia ter gasto brincando na rua. Taí. Vou processá-los.