terça-feira, 19 de abril de 2005

Teorias sobre gente perdida

Logo que vi o primeiro anúncio no intervalo, eu soube: “Lost” seria meu novo vício televisivo. Dentre as dezenas de séries e reality shows que assisto, essa seria líder. Já posso perder um ou outro capítulo de “CSI”, suporto ver “Entre Quatro Paredes” na reprise e até tolero ficar sem saber quem o peruquento Donald Trump demitiu na última semana. Mas perder “Lost”, aí não! E tudo começou assim que o avião caiu na ilha... O que terá acontecido com aquela gente depois disso?

O seriado americano está fervendo em sua terra natal. Mesmo lá, no país dos enlatados de TV, causou frisson desde os primeiros episódios - por aqui, aporta toda segunda-feira no canal a cabo AXN.

Também, pudera. Tudo já começa pegando fogo literalmente. O avião em chamas está desabado na praia de areias branquinhas e mar azul. Pessoas correm por todo lado tentando escapar da turbina que ainda teima em funcionar – e sugar alguns desavisados, moendo-os feito laranja lima. O médico Jack é quem toma a liderança de organizar aquela zorra.

O acidente acontece em algum lugar próximo à Austrália, de onde partira a aeronave. A bordo, centenas de pessoas. Vivos depois da queda, somente 48 sortudos que estavam na parte frontal do avião. A de trás... bom, ela foi arrancada e está jogada no meio da floresta recheada de presuntos (e eu não me refiro àquele gostoso, de comer com queijo).

Passado o impacto, eles precisaram sentar e tomar consciência do desastre. Estão em uma ilha deserta, debaixo de calor escaldante, com alguns feridos e muitos problemas. Claro, porque sempre há problemas. Não demoram a descobrir, por exemplo, que o piloto havia mudado a rota para escapar de uma tempestade e não informou ninguém disso. Portanto, nossos heróis estão perdidos, ferrados e mal-pagos.

O diabo é que já seria uma baita série legal se ficasse por aí – eu queria ver o conflito de um grupo que nem se conhece mas já tem que lutar por protetor solar e água potável. Só que fica pior. Caminhando pela ilha, os sujeitos notam a presença de uma criatura (não focalizada, saco!) que traga árvores inteiras. Encontram javalis selvagens e... um urso polar! Que raios acontece nesse lugar, só o roteirista sabe.

Mas o resto de nós pode criar teorias as mais variadas sobre o que rola de fato com “Lost”. Quem são eles? Por que todo mundo ali tinha um drama pessoal a resolver? Por que uma transmissão de rádio achada por eles está sendo repetida há 16 anos? Como o Jack consegue ficar ainda mais gatão com um corte na cara??

Estes são os meus palpites. Já que nada faz sentido na série, eles também não precisam fazer.

Todo mundo bateu as botas
Sei que é uma tese chupada do filme “O Sexto Sentido”. Mas e se é isso mesmo? E se eles caíram com a aeronave, morreram todos e aquilo ali é apenas uma visão do purgatório? Afinal, a morte pode garantir nossa passagem para um local igualzinho aquele, com tratamento de comercial do Prestígio. É isso aí: para mim, o bando está mortinho da Silva e alojado em um mundo de almas penadas.

Eles estão no Big Brother
Vai ver um empresário malucão comprou a ilha e derrubou o avião de propósito para deixar o pessoal vivendo um show de realidade. Sim, porque cada personagem veio de um canto do globo e tem uma história de vida estranha e cheia de percalços. O médico tinha brigas com o pai, a mocinha é presidiária, o roqueiro toma tóchico. Cercado por câmeras, o acidente pode render audiência como o ultimate reality show! É isso aí: eles estão no maior Big Brother de todos.

É uma experiência científica
Ainda acho que tudo naquela ilha é armação. Não existem mais lugares assim, perdidos no mapa. Então, um cientista doido pode ter armado sua barraca naquela porção de terra e agora está brincando de “Seu Mestre Mandou” com os desgraçados passageiros caídos. A mensagem que eles interceptaram, de uma mulher francesa dizendo “estão todos mortos”, está sendo repetida faz 16 anos sem retorno! É isso aí: o pirado do cientista está testando o comportamento humano em situação de estresse profundo.

A ilha é alien
Os ETs! Foram eles que detonaram o avião, jogaram todo mundo na ilha e agora, depois do serviço sujo feito, estão escondidos esperando a hora de cutucar todos os sobreviventes com pinças cirúrgicas. Ou não são tão maus assim, de repente... Vai ver eles estão ali há anos cultivando feijão e recolhendo amostras de solo e foram incomodados por esses bocós vindos do ar. Coitados dos ETs, eles só querem um espaço nessa Terra. É isso aí: a ilha é um posto avançado marciano.

Trata-se de um comercial da Coca-cola
Gente bonita demais. Praia linda, areia imaculada, mar perfeito. Pessoas de várias etnias convivendo e trocando experiências. Um urso polar. Pronto! A Coca-cola comprou a ilha e mandou todo mundo para lá fingir estar perdido! No capítulo final, garanto que vai entrar uma música dançante de fundo e o pessoal de “Lost” sairá rebolando e tirando garrafas do líquido preto de trás das árvores. Então o urso aparece, entorna uma coca e aparece o slogan “É isso aí” escrito no alto da tela. É isso aí mesmo: comercial de refrigerante. Não bastava ser vício televisivo, tinha que agregar um vício de beber...

Lost.jpg
É isso aí? Tem refrigerante na parada?

Fla Wonka às 02:44 PM

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Pipoca, telona, escurinho e
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No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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