sexta-feira, 4 de março de 2005

Na telinha e na memória

Hoje eu admito ter traído a televisão brasileira pelos programas importados dos canais por assinatura. Já faz uns pares de anos que não assisto a uma edição do “Jornal Nacional”. Nunca vi um capítulo sequer da novela das oito, nem a nova edição do programa “Show de Calouros” – e olha que sou uma fã declarada do homem do baú (e do microfone chumbado no peito). Será que mudei ou mudou nossa TV?

Essa é uma questão que não conseguiria responder. Talvez, ambas mudaram: quem sabe agora eu sou uma telespectadora mais exigente; ou, então, a programação tupiniquim não acerta uma cesta há algum tempo. Pois eu tenho ótimas recordações da telinha. Recordações essas não gravadas em videocassete, mas na minha mente.

Assim como o aparelho, nossa memória acumula imagens, certo? E eu tenho os meus 10 momentos favoritos da TV brasileira marcados aqui na cachola.

10) O último “Boa Noite”
Nos anos 90, o “Jornal Nacional” passou por uma séria reformulação: entre as medidas drásticas, estava a substituição do lendário âncora Cid Moreira, que apresentava o noticiário global desde 1969, quando ele tinha poucos fios de cabelo branco. O último “boa noite” foi dado há nove anos e selou o fim de uma era.

9) Banana para o Brasil
A novela “Vale Tudo” ficou famosa por conter um dos maiores mistérios da teledramaturgia nacional: quem diabos matou Odete Roitman? Para mim, porém, o momento mais marcante de todos foi a banana que o vigarista Marco Aurélio (Reginaldo Faria) deu para o Brasil quando conseguiu fugir impune e cheio da grana.

8) Casal fantástico
Houve uma época em que o dominical “Fantástico” apresentava especiais de música produzidos pelo próprio programa. O que mais me marcou foi a dupla Glória Pires e Lauro Corona, casalzinho na novela “Dancin’ Days”, cantando o tema romântico que embalava os dois: “João e Maria”, minha favorita do Chico Buarque.

7) O banho de Silvio Santos
No extinto “Topa Tudo Por Dinheiro” havia uma prova onde as Mirtes escolhidas pelo Roque subiam em um assento que ficava acima de um tanque cheio d’água. Cada uma recebia um envelope e, se lá tivesse escrito “água”, elas caíam. Um belo dia, Silvio resolveu testar o brinquedo. E levou o banho mais hilário da TV.

6) Lambança das 19h
Em “Guerra dos Sexos”, Otávio e Charlote eram primos que se odiavam. De repente, porém, precisaram dividir igualmente a herança de um parente em comum. O casal, encarnado por Paulo Autran e Fernanda Montenegro, protagonizou uma histórica cena de lambança enquanto tomavam chá da tarde juntos.

5) Varela e Maluf
Ernesto Varela era um personagem encarado por Marcelo Tas que fazia há 20 anos o que Michael Moore faz hoje. Ele não tinha papas na língua e fulminava com perguntas impertinentes figuras de destaque no país. Seu ataque mais famoso foi contra Paulo Maluf, a quem perguntou: “é verdade que o senhor é ladrão?”.

4) Carimbador maluco beleza
Raul Seixas foi convidado pela Rede Globo para participar do especial infantil ”Plunct Plact Zumm”, que foi ao ar em 1981. O personagem de Raul, obviamente, era um sujeito malucão. De óculos e traje espacial, ele cantou o hit “Carimbador Maluco” em um cenário que imitava uma galáxia e tinha efeitos toscos de croma-key.

3) “Quê? Tatu?”
Durante seu programa ao vivo, Bozo atendia a telefonemas de “amiguinhos” que participavam de gincanas tipo “Jogo da Memória”. Um belo dia, porém, um menino irado ligou para o palhaço e mandou-o tomar naquele lugar. Com jogo de cintura, o apresentador disfarçou dizendo “Hã? Sua casa tá cheia de urubu?”.

2) Quem matou Barbosa?
Depois de deixar telespectadores órfãos com o fim do genial “TV Pirata”, o elenco resolveu nos brindar com um especial. Na trama, o personagem Barbosa – aquele velhote gagá que repetia a última palavra das frases – era assassinado. No final, desvendou-se o mistério: Ney Latorraca, o ator que o interpretava, o matou.

1) Ah, Bethânia...
Nada que a TV brasileira venha a fazer vai igualar a visão de Didi Mocó imitando Maria Bethânia. Enquanto rolava o som da baiana cantando “Teresinha” com emoção, o cearense aparecia de peruca, vestido, batom e perna peluda, encenando cada trecho da música no melhor estilo Trapalhões. Dificilmente haverá algo de tão especial na telinha.

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Um crássico!


Vivi Griswold às 07:04 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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