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A ruiva, o ET e o vídeo que ninguém viu Parte I A idéia de jerico inicial era acompanhar uma viagem de ônibus dos sacoleiros ao Paraguai. O problema foi que o seguro do equipamento da faculdade só era válido dentro do território nacional, e a câmera Super VHS corria sério perigo de ser roubada assim que aportasse no território da muamba. Precisávamos de um plano que fosse ao mesmo tempo mirabolante e sem riscos... E, enquanto os outros grupos do projeto final de vídeo optaram por documentários sobre temas sociais e culturais, eu e meu grupo de dois rapazes decidimos tomar o rumo de Varginha em busca da famosa história do ET. Três anos haviam se passado desde que três garotas da pequena cidade no sul de Minas Gerais disseram ter avistado uma criatura marrom, de pele brilhante, com olhos grandes e três protuberâncias na cabeça, em um terreno baldio. Na época, o caso ficou famoso, mas logo virou chacota nacional: até o programa “Casseta e Planeta” patrocinou um show do “et mineiro” na praça central do lugar. Achávamos que Varginha estava se beneficiando da história e decidimos que o teor do documentário seria mostrar uma Disneylândia onde o Mickey Mouse vinha de outro planeta. Antes de partir, fiz várias pesquisas na Internet e entrei em contato com um morador que mantinha um site de notícias e dicas de Varginha. Ele inclusive foi nosso primeiro entrevistado: mas o que eu imaginava ser um garoto era, na verdade, um velho com a cara do Luiz Lopes Corrêa, que fedia a café e cigarro e tinha uma cor assim meio amarelada. Ele deu depoimentos incríveis, do tipo “Jesus era o maior extraterrestre que já existiu” e explicou o por quê de ele achar que a Virgem era na verdade uma nave-mãe. Estranho. Tratamos de agradecer e bater em retirada rapidamente antes que a coisa piorasse. Nosso plano de brincar com a cidade do ET ruiu na primeira volta pelo centro. O tal “estacionamento de óvni” era apenas uma pintura no chão da praça que parecia mais com a decoração que eu e minhas coleguinhas fazíamos na rua em tempos de Copa do Mundo do que um local para pouso de espaçonaves propriamente dito. As lojas vendiam uns chaveirinhos, mas o estoque estava parado. Os bares usavam termos ufológicos para fazer trocadilhos infames. E a população em geral ou não queria tocar no assunto por achar tudo uma grande besteira, ou caçoava da história sem papas na língua. Seguimos para uma feira de artesanato e encontramos um rapaz que fazia esculturas em argila de um ET com cara de bonzinho. Ele disse que não havia recebido reconhecimento antes da história da criatura, e ela era a responsável pelo novo rumo em sua carreira. Dizia orgulhoso que o então presidente Fernando Henrique Cardoso, ao visitar Varginha (ou a região, não me lembro), havia ganho de presente um de seus alienzinhos e que o mantinha em cima de sua mesa em Brasília. O moço, com aquele acento delicioso que só os mineiros possuem, disse ainda que acreditava piamente na história, é claro. Mas nada assim muito contundente para nosso vídeo. “E agora, quem poderá nos defender?” eu e meus dois colegas gritávamos. Até que tomamos a seguinte decisão: já que todo mundo desdenhava o caso, o jeito era fazer um documentário investigativo e sério! Para isso, precisávamos nós mesmos desapegar dos preconceitos e partir para uma linha, digamos, mais “Globo Repórter” – sem a música de abertura, porque daquela eu tenho medo. O primeiro passo lógico era entrar em contato com Ubirajara Franco Rodrigues, advogado varginhense e um dos principais ufólogos do Brasil. Era torcer para que ele estivesse disponível naquele fim-de-semana e pudesse nos explicar toda a história, talvez até indicando testemunhas. Munidos de uma lista telefônica, conseguimos falar com Ubirajara, que educadamente nos convidou a comparecer a seu escritório. Estava ansiosa pelo encontro pois, segundo nossa apuração, o ufólogo pertencia à ala mais cética do grupo, e freqüentemente era criticado pelos entusiastas e esotéricos que, por acreditarem em tudo desde o primeiro momento, o taxavam de descrente. O homem nos recebeu carinhosamente e nos levou para os fundos da casa, onde a sala de advocacia cede espaço a um quartinho de bagunça repleto de pôsteres, souvenires, fitas de vídeo, revistas sobre casos famosos da ufologia nacional. A primeira coisa que ele nos mostrou foi uma torre de arquivo daqueles grandes, com uma meia dúzias de gavetas cinza. “Isso aqui é só sobre o caso Varginha”, ele disse mostrando centenas de pastas. E completou: “o que vocês sabem é apenas a pontinha de um iceberg”. Continua... Vivi Griswold às 10:36 AM |
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