segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Ho-ho-ho!!!

De uns tempos para cá, tenho ouvido muita gente se declarar avesso às festas de fim de ano. Bom, não propriamente do reveillon, quando muitos viajam, curtem o verão, arrumam namoradinhos temporários, esquecem o chefe e colocam o burro na sombra. Eles odeiam é o Natal. Dizem que traz lembranças ruins ou que é um porre se juntar com a família. Posso ser sincera? Chamem de bocó, mas eu amo o Natal.

Começo a cantar “Bate o sino”, na verdade, já em outubro! Sim, sou daquelas entusiastas que, se pudesse, usaria um suéter com desenho de renas e gorrinho típico – isso se a data, por essas bandas, não acontecesse debaixo de 80 graus à sombra. Tradição, divertida ou imbecil, é comigo mesma.

O espírito natalino começa a circular pelas veias quando os primeiros filmes entram na programação da Sessão da Tarde. Não passo um ano sem rever “Rodolfo – A Rena do Nariz Vermelho”, “Férias Frustradas de Natal”, “Papai Noel Existe” e, evidente, “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (os moços que controlam o setor de reprises não atinam que este último não ter porcaria alguma a ver com a época. Ainda bem!).

Filme de Natal é sempre a mesma coisa: alguém precisa aprender uma bela lição, dar mais valor para o que quer que seja, ser solidário para com os demais. Têm sempre moral embutida, mas acho até isso uma graça. Este é mesmo um tempo de repensar comportamentos.

Eu repenso muito os meus enquanto sovo massa de biscoito, bato as claras da torta de limão ou invento um enfeite para a árvore. Reavaliar a vida em meio a papel-laminado, canela ou essência de baunilha é mesmo uma delícia. Principalmente se isso puder ser feito em companhia de alguém especial. Se tinha uma coisa que eu amava nos meus natais de infância, era ajudar a mamãe a rechear, costurar e cozinhar o peru.

Bendita ave safada capaz de espalhar seu cheiro gostoso de assado pelo bairro inteiro! Quando o aroma invadia o quarto, lá ia eu correndo me postar na frente do forno para ver o esplendoroso momento em que o pino do termômetro plástico iria subir. Ou isso acontecia, ou eu tostava o rosto com o calor do fogão. Ou nenhuma das anteriores, porque o dispositivo dos infernos falhava que era uma beleza...

Naqueles tempos, além de preparar as carnes, sobremesas e itens de comilança em geral, a casa ficava uma diversão na véspera de Natal. Todo mundo passando sua roupa de festa, pintando unhas, saindo para comprar mais nozes, lutando com o cachorro para ele ir dormir no banheiro da lavanderia e sair de perto da comida. Uma farra! Minha função, especialmente determinada pela mamãe, era arrumar a mesa.

Não tinha coisa mais chique do que buscar a toalha natalina, dispor os pratos em duas pilhas, alinhar os talheres e lembrar de acender umas velas vermelhas e douradas. Ficava um belíssimo buffet suburbano. Imagino que exista muita gente adepta dos descartáveis, mas não lá em casa. Afinal de contas, a hora de lavar a louça em mutirão e fofocar era uma das melhores.

Outra das melhores, claro, era a hora dos presentes – tanto pela expectativa do que eu ia ganhar quando para ver a cara dos demais. Com os anos, descobri que é especialmente encantador notar o rosto das crianças quando abrem um pacotão e encontram lá sua boneca tão sonhada ou o autorama novinho. Muitos já devem ter ficado observando a minha feição nessas horas. E agora também eu estou na fase de sacar os pequeninos da família abrindo o sorriso.

Nem preciso da ajuda de um “fantasma do Natal passado” para ter experiência espiritual e recordar os feriados tão bacanas que passei. As recordações estão todas aqui, guardadas na memória ao lado de muito papel crepon, cheiro de pinheiro verde e gosto de castanha. Claro que nem tudo é satisfação nos dias de Natal. Amanhã conto o Lado B de toda essa festança, aquilo que pode tirar qualquer cidadão do sério. Mas, ainda assim, escreverei cantando “Bate o Sino”.

* * * * * *

Que presentão...

Nem pares de meias, nem porta-jóia, nem o CD natalino da Simone. O presente de Natal dessas garotas aqui foram 92 lindas cartinhas enviadas para a nossa Promoção de Natal! Nem sabemos como agradecer, amigos. Mas sabemos como premiar. Na próxima segunda-feira, 20 de dezembro, o vencedor da brincadeira verá seu texto publicado aqui. Boa sorte para todos!

Fla Wonka às 02:23 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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· Flá Wonka
· Vivi Griswold