Em um dos mais divertidos episódios da falecida série “Seinfeld”, Jerry e George decidem pregar peça em uma moça sentada ao lado deles na lanchonete. Começam a conversar falando com duplo sentido, simulando serem gays. Pois a garota era uma repórter e os dois, avexados, tentam depois explicar que não eram homossexuais – repetindo dezenas de vezes, contudo, que “não há nada de errado com isso, claro”. Bom: não há nada de errado MESMO com isso... e os amigos do He-Man bem podiam assumir logo sua opção.
Sim, porque não há mesmo nada de errado com isso – mas o pessoal de Etérnia não é exatamente como aparenta. Juntando as peças do quebra-cabeça, percebemos que tanto o musculoso He-Man quando sua forma mais “adocicada”, o príncipe Adam, e os demais companheiros entregam o jogo mais hora, menos hora.
Andei reunindo provas sobre as preferências demonstradas naquele desenho animado. Vão dizer que é alucinação?
Mentor e seu bigode a la Village People
Se o conjunto musical setentista contasse com policial, índio, operário, caubói, soldado e ainda um inventor especialista em veículos, este último cargo seria preenchido pelo Mentor. Aquele bigodinho aparado com esmero nunca me enganou. Só faltava o homem dirigir cantando “YMCA”, mais nada.
Tila, uma garota muito macho
Filha adotiva do “macho man” Mentor, foi criada como um garotinho travesso. Não que haja nada de errado com isso, mas o treinamento militar deve ter feito Tila repensar suas preferências. Nunca arrasta asa para rapaz nenhum; não corresponde às investidas de He-Man; é interessada somente em guiar naves e chutar traseiros do mal. Xiii... De dia é Maria, de noite... quem sabe?
Adam, o príncipe rosado
Aquele colete estilo Barbie e a meia-calça lilás não deixam dúvidas: ou Adam ainda está na puberdade, decidindo para que lado vai, ou em vez de príncipe podia ser o costureiro do Reino. Além do mais, tem a voz. Um pouco sedosa em excesso, vá? Não é a toa que, ao menor sinal de perigo, ele desembainha a espada e invoca He-Man para dar uma forcinha.
Gorpo e seus trejeitos
Nunca me esqueço do lépido e faceiro fantasminha cantando “O bem vence o mal/ Espanta o temporal/ O azul, o amarelo/ Tudo é muito belo”. Na parada gay de São Paulo, ele seria convidado a dar palhinha no microfone do trio-elétrico! Um luxo! Mas não que exista qualquer coisa errada com isso, evidente.
Feiticeira e sua voz de travesti de disque-sexo
Nunca liguei para esse tipo de serviço, mas fico imaginando que ali devam ser contratadas bonecas muito divertidas e com voz de travesseiro. A Feiticeira não daria uma bela “Brigite”, “Tamara” ou “Raiane”? Morando em um castelo como o de Greiscul, ela ainda podia montar um belo show – com o anúncio de “American Bar” instalado na entrada em néon azul.
Esqueleto, um sadomasoquista
É batata: assim que o caldo entorna, o gênio do mal eterniano começa a ter chiliques e afina a voz de modo suspeitíssimo! Como bandeira pouca é bobagem, ele ainda faz questão de usar um modelito típico de rainhas do fetiche, com ossinhos, camisa colada, tanga e um véu cobrindo a cabeça. Ao que parece, Esqueleto está mais para “Caveirinha dos Patins”.
Pacato e Gato Guerreiro, sem comentários
Precisa explicar muito? Acho que não, né? Assim como Adam assume sua porção mais homem encarnando He-Man, Pacato só esquece que é um tremendo frouxo ao ganhar os acessórios do Gato Guerreiro. Convenhamos, porém: a virada de casaca nem ajuda tanto assim. Se apertar, tenho certeza que o felino “entrega”.
Olha a cabeleira do He-Man... Será que ele é?
Sei que ele tem o visual bem másculo dos tipões recheados com testosterona. Mas o que é aquele corte de cabelo tigelinha? E o short de pele, tão comum no Clube das Mulheres? Botas vermelhas de cano alto? Um bocado Mulher Maravilha, hein, moço!? Para mim, He-Man faz gênero – e gostaria mesmo é de largar Etérnia para lá e ir viver com o Arqueiro, amigo de sua irmã She-Ha, na dimensão vizinha. E que sejam felizes, poxa. Porque, sempre vale reafirmar, não tem mesmo nada de errado com isso.
Pelos poderes de Greiscul, assume logo, santa...