quinta-feira, 18 de novembro de 2004

Cara, cadê meu documento? - Parte 2

Lá estava eu na porta do Departamento de Trânsito daqui, cinco dias úteis depois do ocorrido. Nada do documento. O funcionário me explicou, com uma carinha marota e um certo ar sádico que espero ter sido impressão minha, que haviam passado a informação de prazo errada: o Detran levava até 30 dias para enviar o documento para cá.

Confiante na sorte, voltei ao Ciretran com uns vinte dias de apreensão. E nada. Tudo o que consegui foi sair de lá com uma desconfortável dor no estômago depois que o mesmo funcionário, com a mesma carinha marota, contou-me com ar engraçadinho: “Ihhhh”... (abro um parêntese para lembrar que frases começadas com “Ihhhh” nunca terminam bem) “... já vi gente esperar sessenta dias pelo documento!”.

Então, tentei de novo com trinta e um dias contados e exatos depois da fatídica data em que fomos parados. E adivinhem? Meu documento chegou... ao Detran em oito de novembro! Olha só que interessante: levou um mês para ir da delegacia onde foi apreendido para o prédio de onde saem todos os regulamentos sobre o tráfego estadual. Agora, sabe Alá quanto tempo vai tomar para vir do Detran para o Ciretran bernardense.

Descobri também que, além de ter de esperar caladinha e atada, quando mui generosamente eles me devolverem o papel, pagarei uma taxa de revistoria de 68 lascas. Custa 68 dinheiros para olharem meu carro e verem se pintei a placa e consertei o lacre. Eu queria esse emprego.

E quer saber? O pior não é pagar as multas e taxas. Lei é lei; se eu as achasse injustas, devia me informar e protestar ou fazer campanhas pela mudança delas, não chorar ou tentar “dar um jeitinho” depois. O pior tampouco é ficar sem carro. Ajeitando daqui e dali, nos viramos muito bem sem esse item que, de mais a mais, é supérfluo – afinal, muita gente vive sem.

O que dá um bolo no estômago é perceber a má-vontade, a falta de eficiência e a clara impressão de ser visto (e, conseqüentemente, tratado) como gado pelas pessoas que representam e fazem andar os serviços públicos – funcionários de órgãos supostamente criados para regulamentar e fazer andar o convívio de muita gente num mesmo espaço.

Essa gente se esquece que o significado de público é “do povo”, “para o povo”. Nós concordamos com essa estrutura e até pagamos por ela. É nossa. É pública. Mais do que uma questão de investimento, modernização e etc, a mudança da filosofia vigente nesses corredores já poderia fazer uma baita diferença, do micro (como ouvir os básicos e pré-escolares “por favor” e “obrigado” sem arrogância da PM, ou obter as informações precisas, com clareza e educação, no guichê do Departamento de Trânsito) ao macro.

E a pergunta que não sai da minha cabeça nem é mais “quando eu vou reaver meu documento?”, mas “se eu me senti inundada de uma raiva biliar ao experimentar um mínimo dessa ineficiência opressora, imagina o pretinho que toma tapa na cabeça ao levar geral?”.

* * * * * *

Se fosse comigo...

Estou pensando em mandar uma carta bem mal-educada para o comandante da PM. Desconfio que o máximo que vou receber de volta é o silêncio... Mas você pode ganhar algo bem melhor se escrever uma carta bacana para nossa Promoção de Natal. Clica logo aqui e saiba como.

Clara McFly às 06:06 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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