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Um mundo bem menor Uma mísera planta podia virar uma floresta. Caixas de isopor, que viam a glória da utilização apenas nos meses de verão na praia, eram verdadeiras fortalezas. Já suas primas menores, as de fósforo, serviam como o berço do bebê ou, empilhadas e atadas com durex, virar uma cômoda. Como era bom brincar de bonecas – ou de sua versão masculina, intitulada lá em casa de “hominho”. Era muito mais fácil ser a senhora de um mundo em miniatura. Daí as brincadeiras citadas acima – não importa se os habitantes do improvisado universo de isopor e papelão eram bonecas, playmobils ou os modelos de ação do GI Joe, He-Man e Thundercats do meu irmão – serem tão populares no lar, doce lar que acomodou minha infância. Cada uma das criaturas plásticas exigia uma montagem de ambiente diferente, devido às particularidades de suas dimensões. A cama de solteira da minha Barbie era uma king size para os playmobils. Já o bercinho do bebê playmobil não passava de um porta-jóias da loirona peituda. Quase mais divertida que a brincadeira era justamente essa fase da preparação. No caso de brincar de playmobil, juntávamos com os primos todos os seres e apetrechos disponíveis. Depois, dividíamos as famílias e o que seria da casa de cada um fazendo um processo igual ao de “tirar timinho”: par ou ímpar, o vencedor começa escolhendo e segue o revezamento. Claro que as peças mais raras, como um playmobil criança, preto e, ainda por cima, chamado Jedi (o nome não veio de fábrica; o restante, sim) eram as mais disputadas. Baldinhos, cadeiras e um cavalinho de brinquedo onde se encaixavam os bonecos menores também eram bem cotados. Depois de passar horas “tirando os times”, improvisando pufes da sala playmobística com almofadinhas do jogo das cinco marias e fazendo micro-cédulas de papel (que mundo funciona sem dinheiro?), é lógico que a brincadeira em si não durava mais que quinze minutos. Já a brincadeira de hominho era sempre em parceria com o garoto mais à mão – no caso o João. Os GI Joes não eram nada chegados a montar uma casa, que nem a trupe playmobílica. Para brincar com eles, bastava dividir todos os hominhos em dois grupos, intitulados simplesmente “o do bem” e “o do mal”. Como o bobo do meu irmão nunca queria ser do mal – e ainda por cima chorava – ganhei ampla experiência dando vida ao lado negro do plástico e tramando planos para invadir e destruir a fortaleza daqueles chatos do bem, comandados pelo João. O que pegava na brincadeira de hominho era camuflar os soldados em meio às plantas do quintal, ou mesmo fazê-los atravessar o jardim. Descê-los da janela do quarto, no segundo andar do sobrado, amarrados em barbante também era uma boa. Isso até o dia em que o Chewbacca se soltou e caiu lá embaixo, bem no murinho do gás. Eu quis dar um enterro digno ao pobrezinho, mas o João me impediu dizendo que ele ainda estava vivo, porque os pelos amorteceram a queda. Comprei essa antes que ele chorasse de novo, ou nunca mais me deixasse brincar com a Toca do Gato, que tinha um alçapão superlegal para pegar os invasores. Por fim, as brincadeiras de Barbie tinham como dilema central o arranjo de maridos suficientes para todas as bonecas. Era sempre assim: toda menina tinha mais de uma Barbie ou Susi, mas só um Ken – e olhe lá. Tal limitação transformava as tardes passadas às voltas com as loiras em verdadeiras tramas de novelas mexicanas. Todas as Barbies passavam pelo único, absoluto e reinante Ken. Para explicar a troca de mulheres, inventávamos histórias de traição, morte e separações. Mas mais dramática ainda era a segunda opção. Às vezes, improvisávamos casais toscos, de Barbies pernudas e playmobils anões. Ou, pior ainda, casávamos a Barbie com o Petutinho. Hoje parece bizarro uma mulher casar-se com um urso, mas pensando bem, isso não era o pior. Aquilo era uma mulher de plástico e medidas impossíveis casando-se com um urso anão, azul e recheado de bolinhas de isopor. Cruzes. Imagina a Barbie nas festas da família do marido Petuti... E nem precisa pagar o selo! Já participou da nossa Promoção de Natal? Aposto que você quer ganhar uma cesta de brinquedos. Aposto também que não vai achar nada ruim escrever uma carta para alguém – e este alguém pode ser qualquer um MESMO. E o melhor de tudo: nem tem que pagar o selo! É só criar sua missiva, verificar se está de acordo com os critérios da promoção e mandar para a gente por e-mail. Clique logo aqui e descubra tudo sobre a brincadeira! |
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