quinta-feira, 11 de novembro de 2004

Não se reprima – Parte 2

Tudo o que escrevi no início deste texto aqui foi testemunhado por essa própria escriba. Como eu disse, convenci a mamãe – ainda não sei como – a me acompanhar, junto a três outras meninotas, ao espetáculo dos meus ídolos de infância, o Menudo, num dia de 1985. E que dia.

A chuva castigou Santo André, onde se realizava o show, naquela tarde. Caía água torrencialmente. Mas nós quatro, firmes e fortes (para desespero da quinta integrante da turma, uma mulher de 28 anos que não tinha o menor interesse em ver o Ray supostamente de perto), não arredamos pé.

Os pés, aliás, já estavam descalçados dos Bubble Gummers. A chuva tomou conta das imediações do estádio – onde, em poucos minutos, eu esperava ver meus cantores favoritos – de tal maneira, que fomos obrigadas a descalçar os tênis encharcados e segurá-los nas mãos, feito aquelas Mirtes em fim de baile de formatura.

As barras das calças também sofreram adaptações: estavam dobradas até as canelas. E não tinha nada do que se envergonhar, porque todo mundo ostentava o mesmo modelito – sapatos nas mãos e calças transformadas em corsários. Tinha lama por todo lado.

Mas ainda ficaria pior: o show atrasou umas cinco horas. Não tínhamos mais por onde nos entreter, mas não me lembro de ter ficado entediada. Só pensava no momento em que veria os cinco bonitões (especialmente o Ray, meu favorito) cantando e dançando ali, pertinho de mim!

Como desgraça pouca é bobagem – mesmo quando você não percebe a desdita –, ao finalmente adentrarem o palco, percebi o quão distante eu estava de Charlie, Robby, Ray, Roy e Ricky. Eles pareciam playmobils pulando e se mexendo lááááá longe.

Regi, minha irmã mais cara-de-pau, não parava de pedir os binóculos de uma senhora que caiu na mesma desconfortável armadilha que minha mãe, e estava logo atrás da gente com outro punhado de garotas. Acho que ela acabou usando o apetrecho por mais tempo que as filhas da dona.

Pelo menos, cantei junto (com o playback, diga-se de passagem) todas aquelas canções geniais, que inspiraram minha infância: “Não se Reprima”, “Indianápolis”, “Sabes a Chocolate”, “Sobe em Minha Moto” e “Se tu no Estás” – a versão em português de “If You’re Not Here”, também conhecida nas rodas infantis como “Enfia o Nariz (na Maçã)”.

A formação que passou pelo Brasil nessa turnê – e que portanto deve estar na memória da maioria das niñas brasileñas – contava com os cinco que enumerei aí em cima. Quer refrescar a memória? Então dê uma olhada no naipe da trupe aí debaixo, lembre-se do seu favorito, pergunte-se “como eu podia suspirar por isso?” e descubra o que eles estão fazendo hoje em dia.

Charlie
Agora chamado Charlie Massó, ele teve dois filhos, continuou cantando e acrescentou outra atividade ao currículo – galã de novelas latinas. Charlie é uma estrela das tais produções e ainda tirou uns trocos posando para um calendário sensual. Convenhamos: ele foi o único, além do Ricky, a melhorar a lataria.

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Robby
Esse fez de tudo um pouco depois de sair do quinteto. Tentou uma carreira rock’n’roll com a banda Maggie’s Dream; estrelou o filme “Salsa – O Ritmo Quente” e, acreditem, é co-autor de “Livin’ La Vida Loca” com o ex-companheiro de banda Ricky Martin. Hoje atende por Robi Draco Rosa e continua na carreira musical.

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Roy
Levemente estrábico (o que Flá e Vivi devem achar charmoso, já que esse era o favorito delas), Roy Rossello entrou no Menudo em 1983, aos 14 anos. Hoje, trabalha como corretor de imóveis e esteve no Brasil recentemente para reencontrar a filha que teve com uma das juradas do programa que apresentou, nos idos de 1987, na Record.

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Ray
Hoje com 34 anos, meu favorito parece o Brendan Fraser depois de gastar todo o cachê na pizzaria. Ray Reyes vive em Porto Rico, virou produtor musical, faz jingles comerciais e ainda canta. Numa entrevista recente, disse ter saudades do Brasil e de uma fã que escalou nove andares (!) para entrar no seu quarto. Não fui eu, juro.

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Ricky
Que ele foi o mais bem-sucedido, todo mundo sabe. Que virou um premiado cantor e galã latino, também. Tampouco alguém se esqueceu de “Livin’ La Vida Loca”, “La Copa de la Vida” e daquela maldita canção que começava com um sonoro e repentino “uêpa!”. Quem mandou fazer sucesso?

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Já mandou? Não? E agora?

Mais divertido que irritar os pais perguntando a mesma coisa de trinta em trinta segundos, só mesmo ler as cartinhas que têm chegado no e-mail da Promoção de Natal do Garotas. O quê? Você ainda não participou? Tá esperando o que para clicar aqui, se inteirar do assunto e escrever logo sua missiva?

Não se esqueça que a carta tem que ter entre 2 mil e 4 mil caracteres. Para conferir antes de mandá-la, é só selecionar todo seu texto, clicar lá em cima no “Ferramentas” e, dali, em “Contar Palavras”. Não tente dar o gato na gente considerando o número de caracteres sem espaço: é para contar com espaço, hein? Boa sorte!

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Esse homem não existe...

Ricardo Feltrin – o colunista, a lenda, o salvador dos patos – saudou com muita propriedade (além da fofura de sempre) a chegada da quarta garota que diz ni. E nós, garotas embevecidas com a atitude simpática, só temos que agradecer. E salvem os patos!

Clara McFly às 05:35 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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· Vivi Griswold