|
||||||||||
|
||||||||||
Os meus, os seus, os nossos... ... Anos Incríveis Ele passou a adolescência numa das fases mais romantizadas e vendidas pela TV mundo afora. Uma época muito específica, em que uma porção de pessoas acreditou piamente ser capaz de mudar o mundo; em que os fãs de rock and roll esperavam pelo próximo álbum dos Beatles, em vez de conhecer o quarteto por coletâneas; em que todos assistiram pelo televisor preto e branco a chegada do homem à Lua (se é que ela aconteceu mesmo). Eu não vi nada disso, mas posso afirmar seguramente que minha adolescência foi muito parecida com a de Kevin Arnold, o irresistível protagonista de “Anos Incríveis”. A série foi produzida entre 1988 e 1993, com Fred Savage, o intérprete de Kevin, realmente indo dos 12 aos 17 anos – assim como o resto do elenco, complementado por Paul (Josh Saviano), o amigo nerd e adorável de Kevin, e Winnie (Danica McKellar), a namoradinha de infância do herói. “Anos Incríveis” foi exibido pela TV Cultura no início dos 90; depois, passou pela Band e agora, para deleite dos fãs e oportunidade única para quem perdeu, está de volta à TV Cultura de segunda a sexta, às 18:30. Pode notar que meus textos estarão no ar antes do horário ou depois das 19:00 – e não é por acaso. Eu me enquadro na categoria dos fãs incondicionais, que já acompanharam o seriado feito as avós acompanham as novelas das seis, mas depois revêem tudo no “Vale a Pena Ver de Novo”. Explicar a eficácia do programa em me conquistar – e também em arrebatar milhões de espectadores no mundo todo – é fácil. Além de sensível e bem-humorada, a narrativa é coroada por canções da melhor estirpe. A abertura já arrepia, com a versão insuperável que Joe Cocker fez de “With a Little Help From My Friends”. Embora se passe num cruzamento de tempo e espaço muito específico, mas nem por isso menos interessante – os Estados Unidos na virada dos anos 60 para os 70 – a história de Kevin é pontuada por situações que todos os adolescentes de classe média, em todos os lugares e tempos do mundo, encararam. Ora, eu nunca morei naquelas casas brancas rodeadas de grama, típicas do subúrbio estadunidense, com um Buick na garagem, mas já passei horas ensaiando para telefonar para um paquerinha da sexta série. Nunca fui para a escola naqueles ônibus amarelos, mas já sofri o nervoso dos minutos sem assunto que antecedem o primeiro beijo. Jamais tive uma irmã hippie, mas também me senti impopular perto do bonitão do colégio. Assim, a essência das aventuras de Kevin é quase universal. Outro toque de mestre da série é botar o protagonista adulto para narrar as historietas. Dessa forma, ele é capaz – exatamente como nós, nessa altura da vida – de dar um toque de ternura e humor ao que parecia absolutamente escabroso na época, como ver o objeto da sua paixão namorar outra pessoa mais popular ou mais qualquer-coisa que você. O tempo dá mesmo uma perspectiva implacável, como ele próprio, às coisas. Uma das características mais fortes da adolescência é achar que nada vai passar. Mas tudo passa, de uma maneira doce-amarga e real – como vimos acontecer com Kevin no último episódio da série (depois do qual chorei por uns bons pares de dias seguidos) e como acontece na nossa vida. Até os nossos anos incríveis.
![]() Ainda bem que tenho esse trio para relembrar... |
![]() |
|||||||||
![]() |
||||||||||