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Casos de transplante Coloque-se nesta posição: você sabe que um livro seu será levado ao cinema por um grande diretor. Homem controverso mas genial, há grande esperança dele fazer a obra brilhar. Daí o cidadão, chato como ele só, passa a te ligar em plena madrugada para perguntar “qual sua definição de deus”. Stephen King teve que amargar a pentelhice de Stanley Kubrick ao ceder “O Iluminado” para as telonas. É verdade, nem sempre escritor e diretor pensam do mesmo jeito (ou dormem no mesmo horário). Vai ver por isso livros bons já deram em filmes chatos – e vice-versa. Não costumo ir correndo comprovar se o livro é melhor ou pior que a versão da tela. Tem gente especialista nisso: mal o dito cujo sai nos cartazes, já correm à livraria para checar a versão original impressa. E não é pequena a legião de pessoas pichando o cinema por estragar obras literárias. Mas não acontece sempre assim. Algumas vezes a sétima arte nos poupa o trabalho de ler um volume modorrento. Em outras, dá vontade de sair à caça do safado que pegou obra tão boa e desvirtuou. E há quem faça por mim um trabalho quase solidário – de levar à tela livros nos quais eu jamais colocaria as mãos, como os do gênero fantasia “O Senhor dos Anéis” e a saga “Harry Potter”. É tudo questão de opinião, claro. Não se pode partir sempre do princípio “livros são melhores que filmes”, porque isso não é verdade. Stephen King, por exemplo, passou aquelas noites péssimas em vão: detestou a versão de Kubrick para seu livro e decidiu mandar filmar um novo, em formato de série, em 1997. Já eu e uma multidão achamos o psicopata de Jack Nicholson perfeito. Como vai do gosto de cada um, podem dar seus pitacos sobre o assunto. Um dedal das minhas opiniões segue abaixo. Adoráveis Mulheres A Sangue Frio O Xangô de Baker Street Diários de Motocicleta
Che e seu amigo, nas telas, são mais... hum... vibrantes |
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