quinta-feira, 4 de novembro de 2004

Abra a lancheira oitentista

A minha era azul e vermelha. Na tampa, um adesivo dos Superamigos ralo com o tempo. Dentro tinha uma garrafa de plástico que fazia todo líquido guardado ali por mais de cinco minutos ficar com gosto de... plástico. Ao lado, havia um lugar vazio sempre pronto para receber os melhores e maiores quitutes da infância. Preciso falar a verdade: tenho muitas saudades da minha lancheira velha de guerra. E você?

Eu passei exatamente a metade dos anos 80 na escola (e a outra metade dos 90 também). Era uma época cheia de guloseimas com data de validade curta – virou a década, elas desapareceram. Muitas mudaram de nome. Outras, permaneceram com o mesmo nome, mas o gosto... Ah, não é o mesmo não. Ou, vai ver, o paladar infantil é muito mais refinado!

Quando a gente abria a lancheira e olhava um chocolatão ali esperando ser consumido era a glória. Quando mamãe colocava um sanduíche de mortadela ou uma maçã, era a deixa para atacarmos a cantina com a mesada guardada exclusivamente para ser gasta em delícias (e em papel de carta, no meu caso). Enfim, não importa como os itens abaixo entravam em seu recreio: o importante, agora, é relembrar.

Kri
Era um chocolate com flocos crocantes de embalagem listrada em azul, vermelho e prateado. Hoje o Kri atende pela alcunha de Crunch, e continua sendo uma das minhas barras favoritas. Mas por que mudou de nome, hein? Algo se perdeu na transição, tenho certeza.

Ice Pop
Sabe aqueles sorvetinhos no saquinho? Cada um dava um nome – eu chamava de “gelinho” ou “geladinho”. Pois o Ice Pop era um desses, só que de marca. E caaaaro... Ainda assim, de vez em quando convencia minha mãe a comprar, porque o gosto realmente era único.

Balas Van Melle
As famosas balas de uma das mais famosas lendas urbanas. Elas vinham em caixinha, eram macias e coloridas. Cada uma tinha sabor artificial de fruta e, dizem, um tantinho de cocaína dentro. Foi o fim para o produtor do quitute, mas o começo de uma história imortal.

Lollo
Outro que mudou de nome para muito, mas muito pior. Lollo era um chocolatinho fofo que falava, andava e cantava nas propagandas do artigo. Conheço muito gorducho que tinha esse apelido na escola. Como eles iriam se chamar nos dias de hoje? Milkybar? Coisa mais sem graça, viu.

Pirocóptero
Uma das idéias mais simples e geniais. Não existe criança que não gosta de pirulito, certo? E também não existe criança que não gosta de brinquedo. Então por que não juntar os dois? Depois de consumida a parte de bala, colocávamos uma hélice no palito e... Vuuuuum!

Surpresa
Ouvi falar que o chocolate Surpresa ainda existe. Receio experimentar e me decepcionar. Pois me lembro direitinho do gosto daquela barra compacta e fina. Mas o melhor da história era mesmo colecionar os cartões e trocar as embalagens por álbuns divertidos.

Muppy
Tenho dúvida se era com um p ou dois. Mesmo esquecendo da grafia, aquele gosto de leite de soja com frutas tomado diretamente do saquinho vem fácil só com a menção do nome. Hoje não existe mais nada no saquinho, né? Fico pensando como o hospital do fogo selvagem se vira.

Chiclete Ploc
Eu me lembro exatamente do dia em que o Bubbaloo chegou na cantina da escola (e apenas nos sabores tutti-frutti e hortelã, nada daquelas bichices de “mousse de limão”). Até então, Ploc reinava absoluto. Era um chiclete duro pra caramba, mas vinha com figuras decalque e era isso que valia.

Monstrinhos Creck
Ok, eu realmente achava que as bolachas eram testadas antes de entrar na embalagem. Pode rir de mim, não ligo. Acreditar na história dos simpáticos monstros da propaganda era 50% da diversão. O gosto, o cheiro, a textura e a saudade ainda estão vivos na memória.

Dadinho
Olha aí um item que ainda é fabricado. Mas você não acha que o gosto mudou – e muito? Não sei, mas tenho a impressão que o Dadinho atual tem um quê meio pegajoso, deixando o céu da boca com uma consistência mais rançosa. Nada que altere a minha vontade de comer, óbvio.

Guarda-chuva de chocolate
Tirar todo o papel que envolvia o guarda-chuvinha era uma arte. Parecia fácil no começo, mas quando menos se esperava, ploft, lá se ia um teco da ponta junto com a embalagem. Eu não conheço uma pessoa sequer que conseguia desembrulhar o quitute de maneira correta.

Dip N’Lik
Quando me entregaram recentemente um punhado de Dip N’Lik eu estremeci. Não sabia que ainda fabricavam o artigo proibido (minha mãe não queria que eu comesse aquele pó de Chernobyl). Mas desculpem-me os mais novos: não é igual. De jeito nenhum.

Sorvete Fura-bolo
Vasculhando meu álbum de fotos, achei uma imagem minha com uns 12 anos, chupando sorvete em uma ensolarada tarde no Butantã. Adivinha qual era o sorvete? Fura-bolo, chuinf. Sinto falta daquela mão sabor morango, daquele dedo em riste que era o começo da degustação...

Cigarrinhos Pan
Você já parou para pensar como os anos 80 eram politicamente incorretos? Vai ver era por isso que eu me divertia tanto. Pois morri de comer cigarrinhos Pan e nem cheguei perto de cigarro de verdade em todos os meus 27 anos de vida. Então por que mudar? Puxa, era tão legal.

Leite com Brown Cow
Vindo de uma pessoa que odeia leite, o elogio ao achocolatado líquido da vaquinha ganha mais força, correto? Não faz mal que a bebida ficava com gosto de plástico dentro da garrafa da minha lancheira. Se bem que eu gostava mesmo era de espalhar Brown Cow no sucrilhos.

Chiclete Mini
Juntando todos os mini-pedacinhos, devia dar um chiclete normal. Engraçado como esse saudoso item parecia (e era) muito mais bacana assim. A embalagem mostrava o desenho de um menino com a boca aberta, dando para ver todos os quadradinhos coloridos.

Agora chega – o sinal do fim do recreio tocou.

delicias.jpg
Aproveite bem, garoto!

Vivi Griswold às 10:23 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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