quarta-feira, 3 de novembro de 2004

Passa a mão no Michaelis

Sabe quando a gente pega uma notícia pela metade? Assim: depois de ouvir um nome que chama a atenção, sintonizamos imediatamente os ouvidos no rádio, que estava ligado meio que à guisa de música ambiente, mas já não dá tempo de pegar a informação completa? Então. Aconteceu comigo há uns dias, enquanto escutava a Brasil 2000. Não sei se é pegadinha, mas parece que o Trio Parada Dura vai fazer uns shows nos Istêites sob o sensacional nome Hard Stop Trio.

Não duvido das apresentações – quem gosta de música sertaneja diz que os caras matam a cobra e mostram o pau – mas essa história do nome é tão boa que só pode ser piada. E das melhores. Se bem que o excelentíssimo senhor Zé do Caixão ganhou a alcunha de Coffin Joe lá fora – e esta também é uma tradução literal. Se tem Coffin Joe, por que não Hard Stop Trio?

Eu adoro as traduções ao pé da letra, especialmente de expressões e ditados que são parte integrante da nossa cultura. Na verdade, elas não traduzem porcaria nenhuma, se partirmos do princípio de que traduzir é fazer um estrangeiro entender o que você está dizendo.

Nenhum falante de inglês vai me compreender quando digo que dei uma de “armless John”, que “the house fell” ou que “at this height of the championship”, não dá para explicar mais nada.

E se exportássemos outras bandas e cantores para lá? O Amado Batista viraria Baptist Beloved? O Roupa Nova seria o New Cloth, o Balão Mágico podia se chamar Magic Baloon e o Polegar viraria Thumb?

Paula Toller cantaria no Bee Kid and the Wild Pumpkins e Nasi seria o frontman do Wrath!. The Urban Legion continuaria a lançar discos mesmo depois da morte de seu vocalista e Fausto Fawcett narraria a história duma Irajá goddess diante dos Ephemeral Robots. O Barão Vermelho seria o Red Baron – como vocês podem ver, os nomes sérios ficam, no mínimo, chatos.

Fazer o caminho inverso também pode dar bons frutos. Um espetáculo poderia apresentar o Ódio Contra a Máquina, logo depois dos Pastores de Rua Maníacos e do pessoal da Escuridão. Já um festival indie-modernete traria os Derrames Cerebrais (ou Pancadas), os Listras Brancas e os Devassos (que, aliás, já vêm para o Tim Festival, assim como os Garotos da Loja de Animais).

Para fechar, teríamos o Proscrito – ou Proskrito, melhor dizendo – cantando a quase nunca executada “Ei, Você”. Não me olhem com essa cara! Quem duvida, pode olhar no Michaelis.

outkast vale.JPG
Será o Little Carl Marrom? Não, não: é apenas
André Três Mil se apresentando no Grammy


Clara McFly às 06:06 PM

Envie esta página a um amigo



No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold