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Let’s sing about sex Não tem jeito: a coisa é parte integrante da vida de todos nós. Ainda bem. Afinal, como diria o Ultraje a Rigor, “como é que eu fico sem sexo?”. Mas como nesse campo sou adepta da máxima “cada um com seu cada um”, não pensem que vou descrever qualquer preferência particular por aqui. Uma dama não comenta (a não ser entre amigos de anos, aditivada por um pouco de vodca-soda). A proposta, portanto, é borboletear sobre o tratamento dado ao delicado-mas-delicioso tema pela música. Enquanto alguns gostam de escancarar, outros guardam sutilezas a sete chaves. Mas todo mundo adora falar de sexo. Esses dias fiquei pasma ao descobrir uma discreta referência musical sobre o rala-e-rola, ao ler a segunda edição da Flashback (que está tão boa quanto a primeira e, ao contrário do que parece, nós não recebemos para falar isso. Ainda). Os primeiros versos da bela “Teorema”, canção do Legião Urbana regravada com maestria pelo Ira, se referem àquela prática que o presidente Clinton não classifica como sexo. “Não vá embora, fique um pouco mais/ Ninguém sabe fazer o que você me faz”. Uhú. Será que Bill cantou Legião para a Monica? Outra modalidade sexual, mais digamos, independente foi cantada com certa objetividade por Billy Idol. “Dancing With Myself” é uma ode ao saudável hábito de, vez por outra, tratar seu corpo como um parquinho de diversões, como disse a mãe de George Costanza no antológico episódio de “Seinfeld” sobre o tema – exceto pelo fato de que a velhinha não achava o hábito nada saudável e queria que George fosse procurar um psiquiatra. Pfff. A recomendação de Billy, na letra, é acertadíssima: “quando não há ninguém à vista, na lotada noite solitária (...) estou dançando comigo mesmo”. Se George a tivesse seguido, em vez de se agradar no sofá da casa da mãe dele, teria evitado a fadiga de ser pêgo... Para as meninas que querem engrossar o coro e ter versos a entoar, o Divinyls apareceu do nada, estourou a bacana “I Touch Myself” e sumiu. O título já sana qualquer dúvida do assunto da canção, mas quem ainda não está convencido pode se ater ao refrão “I don't want anybody else/ When I think about you I touch myself”. Tem gente discreta, gente direta e... gente sem-noção. Se o Legião passou uma citação quase despercebida e Billy Idol e o Divinyls levantaram bandeiras, Markinhos Moura chutou logo o pau da barraca. “Sabor de Mim”, gravada não só pelo inesquecível intérprete de “Meu Mel” mas também por uma certa dupla chamada Leandro & Leonardo em início de carreira, tinha os singelos versos que encerram esse texto. “Sempre que fizer da sua mão Se isso não é o melô do disk-sexo, então eu não sei mais o que é sexo. E durmam com essa – no bom sentido. Ou não.
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