Faz um (bom) tempo que eles estão na estrada. Já acompanharam artistas como Gal Costa e Zizi Possi – e também já tiveram a moral de entoar versos simplesmente sensacionais e um pouco incompreensíveis como “entre a cobra e o passarinho/entre a pomba e o gavião/o teu ódio ou teu carinho nos carregam pela mão” (passarinho, pomba e gavião ok: são pássaros. Mas o que a cobra está fazendo aí? Cobra come passarinho?).
O Roupa Nova se formou em 1970. Já se chamou Os Famks e foi criado no Rio de Janeiro. E é daquele tipo de banda que todo mundo diz achar brega, mas sabe cantar todas as músicas – ou pelo menos uma. Também, pudera. Em 34 anos, os caras tinham que emplacar pelo menos um hit. Emplacaram vários, como as inesquecíveis canções que seguem aí. Sei cantar todas elas. E vocês?
Tímida
Essa era uma baladinha bem gosmântica que me dava a maior fome. Também, começava com “Lábios com sabor/de hortelã/Olhos cor do céu/E pele de maçã”. Nhãmi. Acho que fala de uma mocinha “descobrindo o amor”. Aí, a definição da expressão entre aspas fica a critério de cada um, porque eles são uma banda de família.
O refrão: “Tímida/Um jeito tímido ao luar/Mágica/A simples mágica de amar”. Ele adiantava a palavra que seria o centro da frase. Legal, né?
Dona
Bastam os primeiros acordes para a imagem da Regina Duarte na pele da viúva Porcina pipocar na cabeça feito um maldito pop up internético. Não sei se a música foi feita especialmente para a novela “Roque Santeiro”, mas caiu como uma luva para a personagem.
É inesquecível: “Tã, tã, tã, batem na porta, não precisa ver quem é/Prá sentir a impaciência do teu pulso de mulher”. Não dá para cantar sem fazer a mímica das batidas na porta. Eu até me arrepio.
Whisky a Go Go
Mais uma que pegou na novela. “Um Sonho a Mais” tinha a canção como tema de abertura – o que faz com que muita gente ache que esse também era o nome da música. Clássico absoluto de bailes de formatura, geralmente executado quando as Mirtes já tiraram a sandália e estão na pista com os calçados vestidos nas mãos. Irresistível.
Demorei para entender: “Foi numa festa, gelo e cuba libre/E na vitrola, whisky a go go/À meia-luz, o som do Johnny Rivers/Aquele tempo que você sonhou”. Os versos iniciais devem figurar ao lado de “Noite do Prazer” do Cláudio Zoli, aquela do “trocando de biquíni sem parar”, como campeãs dos virunduns.
Volta pra Mim
No quesito dramaticidade, essa é dez! Se o Bon Jovi passasse a letra num tradutor online, podia gravar sem medo. Começava baixinho, com o “Amanheci sozinho/Na cama um vazio/Meu coração que se foi, sem dizer se voltava depois”. Ela deve ter dito para ele que ia comprar cigarros. Depois, seguia num crescendo até o genial...
… ápice: “Eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir/Ter você é meu desejo de viver/Sou menino e teu amor é que me faz crescer/E me entrego corpo e alma pra você”. Tire essa da cabeça, agora!

Eu perguntava duiu-uanadens