segunda-feira, 18 de outubro de 2004

Tiozinhos brasa, mora?

A querida Agatha Christie deu uma declaração divertidíssima sobre ser casada com um arqueólogo: “quanto mais eu envelheço, mais ele gosta de mim”. A escritora era sortuda mesmo. Pois é só sintonizar qualquer um dos canais de entretenimento para ver o monte de senhoras que não estão sabendo envelhecer com dignidade. Tudo bem aplicar um botox aqui e ali (ainda mais quando o emprego exige mostrar o rosto), mas elas precisam transformar-se em um manequim de loja barata?

Creio que a culpa nem é de todo das mulheres. Você há de concordar comigo que ainda vivemos em um mundo machista. Quando uma atriz ou cantora aparece com pés de galinha, cabelos grisalhos e roupas menos chamativas, todo mundo comenta o quão caída ela está. Quando o mesmo acontece com atores ou cantores, o comentário padrão é “ah, que charmosos!”. Já reparou como a gente, em um modo geral, vê muito melhor a beleza de senhores do sexo masculino?

Eu acho lindo ver pessoas que estão passando da segunda para a terceira idade e encaram isso numa boa. Não digo que elas precisam ficar caídas e parecer um maracujá de gaveta – se cuidar é bom, sim. Mas contar a sua história de vida só com o rosto também é. Vou provar isso mostrando os tiozinhos que fazem meu coração palpitar. As coroas ficam para a próxima.

Al Pacino, 64 anos
Pra começo, ele é italiano, o que sempre ganha pontos no meu gabarito. Al tem aquele jeito de mafioso rude, com o terno bem cortado, cabelo penteado com o dedo, cara fechada e uma voz rouca inconfundível. Esse é um a quem os anos só fizeram bem – pelo menos, na aparência. Afinal, ele anda meio esclerosado no quesito escolha de papéis. Pô, não precisava fazer “S1m0ne” e “Gigli”, né, bonitão?

Mick Jagger, 61 anos
Ok, ok, tá na hora de confessar o inconfessável. Eu faço parte da grande turma de mulheres que acham o líder dos Stones sexy pra chuchu. Como todas as integrantes desse grupo, não me peça para explicar o motivo – eu não sei! A única coisa que posso afirmar com certeza é que dispensaria fácil o Mick jovem por esse 300 vezes mais chique, mais centrado e menos, digamos, frutinha.

Clint Eastwood, 74 anos
Para quem não é fã de filmes de bangue-bangue, como euzinha, fica difícil conhecer Clint dos anos dourados. Sua fama de arrasa-corações naquela época é pra lá de notória, mas continuo achando que o ator e diretor ainda não deve nada ao passado. Ele fez “As Pontes de Madison” com 64 anos. Vai dizer que você não chorou! Meu favorito é “Cowboys do Espaço”, cujo tema vem muito a calhar.

Paul McCartney, 62 anos
Como não morrer de amores por um beatle? Ele poderia ter 100 anos e exibir o rosto do Moon-Ra que eu nem ligaria! Mas Paul não é assim – o sexagenário continua parecendo aquele fofíssimo jovenzinho com cabelo-tigela e cara de sapeca. Até a alguns anos atrás, nem rugas ele carregava. Quando perdeu a mulher Linda, o queridinho ganhou de um dia para o outro tudo o que tinha economizado.

Sean Connery, 74 anos
Alguém aí discorda que o escocês de sotaque fortíssimo foi o melhor James Bond que já existiu? Bem, eu sou obrigada a concordar com esse chavão cinematográfico. E sou obrigada também a confessar que acho o ator mais bonito com cabelo e cavanhaque grisalhos do que na época do agente supersecreto. E ainda por cima ele é nomeado cavaleiro pela coroa britânica! Isso sim é um Sir.

David Bowie, 57 anos
Aposto que muita gente achava que Bowie ia acabar transformando-se de vez em um ser assexuado quando mais velho (tipo o Caby Peixoto). Ele enganou todo mundo aparecendo mais lindo do que nunca. A voz é a mesma, os olhos de cores distintas também. O pique em cima do palco continua a mil (testemunhei ao vivo, ai ai), assim como o talento. Até os camaleões envelhecem – mas não perdem a majestade.

bowie.jpg
Que Ziggy o quê!
Vivi Griswold às 09:56 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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