Quem diz que o cinema não presta para nada devia ser condenado a passar 52 horas ininterruptas assistindo ao programa da Kássia Franco sem som, com o capricho perverso de ter Engenheiros do Hawaii tocando num fone de ouvido chumbado à cabeça pelo mesmo período de tempo.
Alguns filmes são, sim, lições de vida. Isso soa piegas, mas quem não tem uma película de cabeceira? Ou uma produção capaz de animar o mais enlameado dos dias? A Sétima Arte tem muito a ensinar, mesmo com seus filmes mais despretensiosos. Ou, pelo menos, tem muitas frases de efeito a oferecer – e elas casam com o dia-a-dia que é uma beleza! Olha só.
Is that a gun in your pocket or are you just happy to see me?
Isso é só um revólver no seu bolso ou você está contente em me ver?
Poucas coisas são tão divertidas quanto encontrar o namorido e sacar da pérola imortalizada por Mae West em “She Done Him Wrong”, produzido no longínquo ano de 1933. Basta substituir “revólver” por “celular” (a não ser que seu par esteja envolvido em atividades escusas e use um apelido do tipo Uê ou Andinho) e, voilà!, a sentença continua atualíssima!
Show me the money!
Mostre-me a grana!
Cuba Gooding Jr. acrescentou um daqueles homenzinhos dourados à decoração de sua estante depois de imortalizar a frase em “Jerry Maguire – A Grande Virada”, de 1996. O dito é perfeito para gentes como eu, que morrem de vergonha de cobrar qualquer coisa de qualquer pessoa. Agora posso fazê-lo citando Rod, o atleta hilário. É como se não fossem minhas as palavras. E, bem, não são mesmo!
‘Isms’, in my opinion, are not good
Eu não acredito em ‘ismos’
Matthew Broderick diz a pérola em “Curtindo a Vida Adoidado” (1986) e eu não poderia concordar mais. Tem mania mais besta que se rotular e guiar por qualquer ‘ismo’ – capitalismo, fascismo, modernismo, montanhismo? Que cada um acredite em si – como também completou Ferris, uma verdadeira sumidade. E diga isso para quem vier te perguntar o que você é – como se uma pergunta complexa dessas se resumisse numa frase.
Fuck! Fuck! Fuck!
Put@queopariu, p*rra, m#rda: ph*deu de vez!
Hugh Grant não pára de repetir a palavra cabeluda durante praticamente toda a introdução de “Quatro Casamentos e um Funeral” (1994). Também, pudera: o moço perdeu a hora, atrasou-se para um casamento e ainda por cima estava com as alianças do dito-cujo. Por isso, diante de uma situação desesperadora como essa, parafraseie-o e passe por um fã incondicional de cinema ao invés de um xingalhão duma figa.
The pervert is back!
O pervertido voltou!
Para fazer bom uso dessa linha, dita por Woody Harrelson em “O Povo Contra Larry Flynt” (1996), há duas opções: ou você gosta de coisas estranhas, relacionadas a freiras e animais, ou você tem senso de humor ilimitado. Caso se encaixe na segunda categoria, saque da frase quando chegar à casa da sua avó ou voltar ao escritório depois do almoço. Se ficou na primeira descrição, procure um psicólogo.

O pervertido de verdade voltou mesmo e disputou
com Schwarzzie o governo da Califórnia.
That’s entertainment…