quarta-feira, 29 de setembro de 2004

Tem programa para o sábado?

As tardes e noites de sábado eram muito mais divertidas – e toscas – quando eu contava umas sete ou oito primaveras. Pelo menos foi com essa idade que comecei a observar a variada e curiosa fauna de programas de auditório que estavam à disposição do respeitável público, à distância de um mísero clique no controle remoto.

É bom lembrar que, nessa época, não havia tv a cabo e as opções eram exíguas. Pensando bem, a tv por assinatura mais fez diversificar as opções de programas ruins do que oferecer a salvação da lavoura dos espectadores. Ainda assim, sou teleadicta. Não tem jeito, mesmo.

Enfim. Tenha participação de um bando de tiazinhas malucas gritando a cada atração apresentada ou não, é impossível esquecer dessas pérolas. Se hoje perco meu tempo com “Detetives Médicos”, “Justiça Final” (com a Erin Brockovich mais gritalhona que já vi) e todos os programas comerciais da Polishop, naquela época eu bem que curtia passar horas entretida com...

Perdidos na Noite
Primeiro na Gazeta e depois na Record, onde estreou em 1985, Fausto Silva – antes de virar uma maleta sem alça e ensaboada – comandava o programa de auditório mais anárquico de que se tem notícia. Tinha banda se apresentando e humoristas hilários em quadros sensacionais.
Não dá para esquecer: Faustão ficava atrás de uma mesinha que imitava um par de pernas femininas.

Qualquer-Coisa do Chacrinha
Confesso que não era muito fã do sêo Abelardo Barbosa (nem da música de abertura do programa, que eu entendia como “Apesar do Barbosa, tá com tudo e não tá prosa...”). Mas o tiozinho durou um tempão na tv: desde 1957, quando estreou na Tupi, à frente do programa que juntava calouros e bandas consagradas. Teve “A Hora do Chacrinha”, “O Cassino do Chacrinha” e “A Discoteca do Chacrinha”. Haja bacalhau.
Não dá para esquecer: Três coisas: a distribuição de bacalhau, o troféu abacaxi e mulheres de biquíni dançando de maneira sensual. Isso porque era um programa vespertino, hein!

Programa do Bolinha
Ele foi substituir Chacrinha em 1967, na TV Excelsior. Ficou no ar, entre outras emissoras, até 1992. Cercado de “boletes”, apelido dado às moças seminuas que dançavam no palco (pelo jeito, moças seminuas são um pré-requisito para qualquer programa de auditório), trazia atrações das mais diversas – de calouros a transformistas.
Não dá para esquecer: Os bordões “A música que meu povo gosta” e o gutural “Vai, linda!”

Viva a Noite
Esse, que estreou em 1982, mereceu até um texto à parte. Era meu favorito. Quem mais senão Augusto Liberato para juntar mulheres (seminuas, é claro) dançando em taças, no meio de bambolês colados; personagens de palco como o Bugalu; uma exótica dança em homenagem a um tal passarinho; um prêmio que era uma lua de néon e quadros como o Sonho Maluco?
Não dá para esquecer: O concurso do Rambo brasileiro, onde fortões portando bazucas plásticas e uma fita na testa disputavam o título.


Ah, sim! Só mesmo um gênio das comunicações para apresentar programas de auditório SEM moças seminuas a seu lado. Quem mais senão Silvio Santos, aka Senor Abravanel, aka Sêo Silvio (para as tiazotas que se sentem íntimas e correm atrás dele querendo uma foto).

Mas o homem, o mito, a lenda... fica para outro texto. Ele merece.

rambo brasileiro.jpg
Viu como não inventei? Taí o vencedor do concurso
Rambo Brasileiro
Clara McFly às 08:34 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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