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O amor segundo o brega "Quem dera ser um peixe/ Para em teu límpido aquário mergulhar/ Fazer borbulhas de amor para te encantar/ Passar a noite em claro dentro de ti". Ah, que coisa linda, profunda, sutil, não? Pois assim são os versos de amor cantados pelos maiores nomes da música brega: exagerados, cheios de insinuações calientes e comparações com a natureza. O cantor dessa pérola é nenhum outro além de Raimundo Fagner. Mas o moço não está sozinho na tentativa de exprimir todo o clima de paixão de um modo, digamos, extremo – ele é apenas mais um no Olimpo dos compositores gosmânticos, termo usado para descrever um romântico além da conta, melado. Letras do gênero pululam na nossa MPB. Verdade seja dita: impossível haver uma música brasileira mais popular do que isso. Ironicamente, ser brega hoje é ser cult, e artistas como Wando (que já até ganhou uma homenagem por aqui) agora desfrutam de um certo reconhecimento. Eu dou maior apoio a eles, viu? Porque tem que ser muito bom para conseguir enfiar as palavras "chão", "suor", "relva" e "sede" em todas as composições. O resultado? Coisas inimagináveis como as que seguem... "Parece que ela enfiou uma espada de aço no meu coração Que mulher teve coragem de machucar tanto um homem de nome Amado? "E a mágica do amor nasceu quando eu olhei você Se isso tivesse sido escrito no século XIX, seria Álvares de Azevedo! "Amor é uma palavra Eu adoro a parte do "vento menino". Seja lá o isso que signifique. "Vou me embrenhar nessa mata só porque Fala aí, esse final truculento arrepia. Não? Ok. "Eu vou levar você pra ficar comigo Não tem pra ninguém: uma prostituta fez Odair escrever os melhores versos gosmânticos.
E ainda é galã, o peste! |
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