Pilotar carros é legal. O trânsito de hoje deixa a atividade aborrecida e desgastante, mas já fui fã disso. Quando cheguei na idade de tomar o volante da Saveiro familiar, por exemplo, tinha comichão só de pensar em domar os cavalos automotivos. Aprendi, gostei e até hoje adoro colocar um som bacana e circular com a minha caixinha de Ortopé possuída por forças do mal. Não sou mais uma car-crazy-person – cresci, me encantei pelo metrô e por segurança pessoal –, mas o cinema ainda alimenta meu sangue com petróleo.
Acho bacana ver carros esmerilhando em corridas, porém essa nem é a melhor parte. Divertido mesmo é participar, ainda que aboletada na poltrona, dos pegas entre mocinhos e bandidos. Filme de ação com duelo de forças entre gente quase-boa e gente quase-má precisa ter um rachão! É duro pensar no tanto de dinheiro gasto com carros arrebentados e explosões fajutas? Ô se é. Mas eu aguento.
No último fim de semana, por exemplo, fui checar o tal "A Supremacia Bourne". O trailer mostrava uma perseguição com requintes de crueldade, com aço voando pelos ares e um encontro nada gentil com um muro de túnel. "Vale o ingresso", pensei. Aliás, o filme anterior protagonizado por Matt Damon já tinha sido fabuloso nesse aspecto. O novo não decepciona, mas o primeiro da série continua bem melhor no quesito "esmaga-veículos".
Junto com ele, estes são ótimos para quem, como eu, não liga de confessar afeição por correria em ruas, estradas e até escadaria abaixo.
Operação França (French Connection), 1971
Nem vi o filme inteiro, só mesmo a parte da perseguição – que aparece em todo documentário sobre o tema como a melhor de todos os tempos. É mesmo de tirar o fôlego. Curioso é que, mesmo quando os filmes tratam de asquerosos gatunos cuidando apenas do interesse do vil metal e provocando balbúrdia por cidades pacatas… a gente torce por eles. Eu torço. Desculpa…
Ronin (Idem), 1998
Já vi faz algum tempo, mas não esqueço o pega-pra-capar entre Robert De Niro, Jean Reno e a rapa a bordo de Audi, Mercedes e afins. Tudo se passa nas belas estradas da Riviera Francesa – mas quem consegue acompanhar o cenário? Os homens voam sobre rodas e nem dá tempo de parar, acenar e dizer um "au revoir". Quem diria que, um dia, o soturno De Niro largaria os porretes mafiosos e os guetos italianos pra pisar fundo num carrão.
60 Segundos (Gone in Sixty Seconds), 2000
Tudo bem, é uma bobagem infindável como enredo. Mas pensem bem: eu podia estar aqui citando "Velozes e Furiosos"! Isso sim seria chutar a aavanca de câmbio! O bom do filme com Nicholas Cage é o desespero contido em roubar 50 automóveis em uma só noite. E só carrão. Porém, era claro: na correria final, a vedete sobre rodas é um enjoado Shelby, carro americano sem muito "que tal" quando comparado às Ferrari mostradas ao longo do filme. Mesmo assim, vale pelo inusitado da escolha.
A Identidade Bourne (The Bourne Identity), 2002
Como disse, a primeira aparição de Jason Bourne na telona foi alucinante. E foi também a prova de que nem só de máquinas caríssimas vive uma boa perseguição. O mocinho e sua namorada fogem da bandidagem dentro de um humilde Fiat Cinquecento. É aquele carrinho italiano miúdo, capaz de entrar em ruas apertadas. E eles fazem isso e muito mais, acredite.
Saída de Mestre (The Italian Job), 2003
Donald Sutherland, Mark Walberg, Edward Norton e um bando de salafrários legais decidem praticar o roubo da década em Veneza. Tudo vai bem e a bufunfa comparece – após uma eletrizante perseguição de lancha pelos canais medievais, mas esse não é o tema deste texto. O filme, uma refilmagem bem-feita da obra com Michael Caine, tem o ponto alto num pega entre pequeninos Mini Coopers em pleno underground de Los Angeles. Sim, no metrô. Sim, eles descem escadarias e aceleram dentro de túneis e dutos d´água. Sim: além de tudo, uma das motoristas é garota! E que garota! Charlize Theron devia ter ganhado Oscar por essa ousadia. E por ter a indecência de fugir de Eddie Norton… Boba. Tem perseguição que nem vale a pena…
Vai, pega!