segunda-feira, 27 de setembro de 2004

Deixe para amanhã

Eu tenho um péssimo hábito de acumular tarefas e achar que meu dia pode ter 27 horas se eu assim desejar. Dizem que tem a ver com o meu signo: como uma boa geminiana, adoro começar dezenas de trabalhos ao mesmo tempo, porém sem terminar nenhum. Bem, eu termino – só demoro pela pura falta de noção temporal. Se não sou boa para gerenciar finanças, consigo ser pior para domar a ampulheta.

Desde que me recordo possuir prazos, sempre foi assim. No colégio, quando a professora passava um trabalho para entregar dali uma semana, eu, ao invés de chegar em casa, fazer tudo e ficar livre, deixava passar. "Amanhã eu faço". Quando o amanhã chegava, a mesma coisa. No fim-de-semana, pensava "ah, não vou estudar de sábado e domingo, né?". Quando eu via, o trabalho era para ser entregue no dia seguinte e eu precisava correr com ele e ainda estudar para uma prova.

"Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje" é um ditado muito sábio, porém nunca fez parte da minha vida. E juro que não é de propósito! Só vou empurrando com a barriga achando que, quando precisar sentar e me concentrar naquilo, consigo terminar em apenas uns minutinhos. E ainda acho que conseguiria, se imprevistos não acontecessem e eu não precisasse fazer coisas como dormir, comer e tomar banho – o que perde um tempão, cá entre nós.

O problema é que essa irritante mania, além de fugir do meu controle, esbarra no meu lado certinha e CDF. Então, enquanto corro contra os ponteiros depois de toda a lenga-lenga, fico me martirizando, me condenando e querendo dar murros em mim mesma só de pensar no monte de dias livres que tive e não aproveitei. "Quem mandou ficar assistindo a 10 horas de maratona ‘Detetives Médicos’, panaca?" diz a anjinha no meu ombro. Ainda bem que só dou ouvidos à diabinha.

Mas nem sempre a culpa é minha, uma vez que Murphy também impera neste quesito. Quantas e quantas vezes eu já não passei uma semana moscando completamente à toa e, nos últimos dias, apareceram cinco trabalhos ao mesmo tempo? Pois essa é a vida de free-lancer que eu me arrumei. Fiz a cama, agora tenho de deitar, certo? E deitar significa ser aliada do tempo e tentar ao máximo cumprir os sempre apertados prazos.

Com o Garotas é a mesma coisa. Quando começamos a escrever aqui, eu tinha textos guardados para um mês – porque a empolgação de finalmente poder colocar tudo o que queria em um artigo e ainda ser lida por montes de pessoas era inédita e muito forte. Ultimamente, porém, ando fazendo o texto do dia para ser publicado dali a minutos. Se por um lado não é muito saudável, por outro é um desafio mais emocionante.

Neste exato momento eu devo estar em algum ponto ao sul da América do Sul. Para você estar lendo isso, tive de escrever com antecedência – e não apenas este texto, mas outros quinze. Preciso dizer que deixei para a última hora e ainda não posso afirmar se terminarei tudo a tempo?

Conseguirá Vivi passar a perna no relógio novamente? Aguarde as reveladoras cenas do próximo capítulo.

Vivi Griswold às 10:36 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold