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Barata, óbvia e infame Diz o Aurélio a respeito da feiosa palavra “infâmia”: 1. Má fama 2. Perda de boa fama 3. Dano social ou legal feito à reputação de alguém 4. Caráter daquilo que é infame; torpeza, vileza, abjeção. O substantivo e seu adjetivo relacionado, “infame”, aparecem umas três vezes na condenação de Tiradentes à forca. É... o pessoal do rei ficou bravo à beça com o alferes e declarou não somente o próprio infame, mas também seus filhos e netos. Hoje, ser infame é bem menos passível de punição. A palavra ganhou outra definição quando falamos de piadas. Ninguém vai enforcá-lo em praça pública, picotá-lo, queimar e salgar sua casa se você fizer a piada do pavê numa reunião de família. No máximo, vão dar uns risinhos amarelos e achá-lo um cretino – ou uma pessoa torpe e vil, voltando ao sentido original da palavra. Mas, confessemos, todo mundo tem uma veia infame. Quem nunca sacou de piadinhas bobas e de gosto discutível que... saia andando e não olhe para trás. Porque poucas coisas são mais divertidas que rir impunemente de um gracejo politicamente incorreto, de humor negro ou calão beirando o baixo. Meu gênero favorito de piadas infames são aqueles trocadalhos do carilho do tipo “se comprar uma pizza, dá para vinte comer?”. Juro, eu tento evitar a risada e parecer uma mocinha correta e de humor fino, mas casco o bico toda vez que ouço. Nessa classe ainda estão as inesquecíveis piadas do café de máquina ou de coador; do jacaré que anda no seco; do pessoal que chegou há pouco de fora; do calor e da chuva nas costas. Também sou muito afeita às anedotas de humor negro, curtas e grossas. Minha favorita, se me permitem: “Mãe, por que o papai está branco?” No repertório que conheço, ainda há a da criança que está brincando com a vovó (e depois guarda a velhinha na caixa) e a do menino que reclama não gostar da vovó (sempre ela), ao que ouve da mãe “então come só as batatas”. Ok, fica mais engraçado contado ao vivo. Por fim, ainda temos os inesquecíveis dizeres ginasiais, do tipo “vixi, vixi, vixi”; “se eu fosse você, cuspia no chão e saía nadando” e “olha a ficha”. Estes transbordam infâmia, assim como as piadas de “você é bobo ou...”. Tal frase era completa com toda sorte de situações bisonhas, cujo ponto era provar que... você é bobo. Assim: “você é bobo ou paga ônibus com cheque?” ou “você é bobo ou enxuga gelo?”. Eu gostaria de saber quem foi a criatura que inventou essa série. Precisa ter muita infâmia correndo nas veias para isso. Vai ver foram os descendentes de Tiradentes. Tá, eu sei... essa foi infame.
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