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Muito pouco Ando com perguntas saindo pelas orelhas... De repente, tudo parece motivo de questionamento. Será que estamos no caminho certo? De onde viemos? Para onde vamos? Por que algumas mulheres fazem reflexo no cabelo? Não sei dar resposta para quase nada. Mas uma questão freqüente do momento, acho que consegui dissecar. O que a gente precisa para ser feliz? É pouco, muito pouco. Nessa semana passei raiva porque o carro quebrou, o calor está no ponto senegalês de novo, bati o joelho no box do chuveiro e ganhei um hematoma do tamanho do Pará. Fiquei aborrecida com o trabalho em excesso, com o incêndio que exterminou a loja de um pobre vizinho, em saber dos malditos racistas presentes no Orkut. E daí pensei: “que tristeza”. Mas, sabe? Nada disso é motivo para arrancar a felicidade aqui do coração. Atentem para a foto abaixo:
Essa sou eu aos 7 anos. Naqueles idos de 1982, tudo era uma festa. A segunda série era bico, eu tinha uma amiga-fiel-irmã-camarada e dividir o quarto com a minha irmã causava mais riso que choro. Andava descalça desde o fim da aula até dormir. E por volta de junho ganhei o Floco, essa coisa fofa aboletada nos meus braços. As imensas preocupações da minha tenra vida eram estas: como enfrentar a prova de ciências; se o menino de quem eu gostava tinha percebido isso; o que pedir no Natal. Meus tesouros resumiam-se a: um Aquaplay do pescador; uma boneca de pano, a famosa Cezona; uma Suzi noiva; um par de tênis Bubblegummers; cerca de 40 Playmobils; uma máquina fotográfica Love. O dia passava da seguinte maneira: ia pra escola às 7h00 e “estudava” até 12h40. Voava pra casa no ônibus do Tio Abílio e comia a gororoba disponível – em geral, a deliciosa formação arroz-feijão-bife-salada. Assistia o Chaves, ia pra rua encontrar a molecada e ficava lá na praça até 17h30. Voltava pra casa, me divertia com o fim do Daniel Azulay e a Turma do Lambe-Lambe e ia tomar banho. Jantava, via novela e tocava para a cama, dormir. Eu era muito feliz em 1982. Por que? Porque nada era complicado! Não precisava de carro, circulava a pé ou de bicicleta por todo o meu grande Universo. O calor era legal pra tomar banho de mangueira, o trabalho de fazer lição era engolido em questão de duas horas, eu não conhecia gente mesquinha ou malvada – e se conhecesse, não identificava desse jeito. Tudo bem, não é possível esquecer 100% das obrigações e ignorar um rombo no banco ou uma briga feia com o namorado. Mas dá para equilibrar, colocando o peso correto em cima de cada invertida do destino. Ter uma doença incurável é terrível. Bater o joelho e ganhar um hematoma é hilário! Ainda mais tendo percebido que ele se parece com uma joaninha. Melhor encarar as chateações como se tivéssemos 7 anos. Era mais fácil naquele tempo. Espero que as crianças de agora sejam felizes também. Não ter roupa de grife ou um videogame poderoso aparenta ser um problemão hoje em dia, mas não devia. Aliás, acho que nem só os pequeninos precisam desapegar e ficar contentes com pouco. Há muita gente grande merecendo um sorvete escorrendo pelo braço, um dia de preguiça na frente da tv, uma gargalhada besta e sem motivo daquelas que fazem doer a barriga. É pouco, não é? Mas é a resposta mais simples, eu acho. |
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