quarta-feira, 22 de setembro de 2004

Realidade pra que te quero

Um, dois, três e... já. Arma-se um cenário de residência comum, escolhe-se 12 bobos dispostos a brincar de cobaia, faz-se uma tremenda campanha de mídia, ganha-se um recorde de audiência no último episódio. Assim são montados os reality shows. Sinceramente? Quando o primeiro apareceu por aqui, na forma de “No Limite”, achei o maior barato. Depois vieram o enlatado “Big Brother”, a hilária “Casa dos Artistas” e a coisa foi ficando chatinha. Agora, parece, os programas de realidade voltaram a pescar minha atenção curiosa, intrometida e muito sem noção.

De novo estou viciada em um programa dessa cepa. Pior: é apresentado por um magnata safado e usuário de peruca. Donald Trump tinha essa imagem na minha cabeça desde sempre. Hoje penso assim: é magnata, é safado e é peruquento. Mas entrou para a categoria Mestre dos Magos com o reality show “O Aprendiz”. Ele fala como o senhor Myiagi com seus empregados!

Na atração, apresentada no glorioso People+Arts, Donald rege o destino de vários jovens carreiristas. Formam-se equipes e eles disputam provas relacionadas com o mundo dos negócios. Quem mostra qualidades ruins, é demitido. Quem vai bem, fica para concorrer a uma vaga de emprego na corporação. É como uma dinâmica de grupo que leva vários dias pra acabar. Doideira! Mas eu acho chocante avaliar como as pessoas se mostram mesquinhas e puxadoras de tapete ao disputar um mísero trabalho...

O bom é que, no jogo de Trump, não tem uma soma sem graça de dinheiro em disputa. É muito aborrecido e maçante quando a coisa vira assim, para o lado de “ser mercenário”. Bom é ganhar um prêmio valioso, mas temático.

O mesmo People+Arts já anunciou a chegada próxima de um novo show. Chama-se “Fashion House”. Nele, a casa inventada é localizada... em Roma! Os convidados são estilistas em começo de carreira que jogarão dentro do assunto moda. Quem levar a melhor, no final, ganha um emprego na Gucci, a famosa marca de vestuário italiana. Demais, não? Imagina a emoção de quem lida com o metiêr em ir realizar o sonho da vida! Muito melhor do que levar uma bolada em cheque, eu penso.

O mesmo sentimento devem ter os participantes de um vindouro programa lançado pelo canal a cabo Animal Planet. O canal bacana, infelizmente, tem um site podre – e por isso não consegui localizar o nome exato da atração. Mas, segundo a propaganda, funcionará assim: moças e rapazes especialistas em biológicas (oceanografia, biologia, veterinária, etc.) irão para o meio da selva viver e cumprir provas arrojadas.

Quem se mostrar mais resistente – e, óbvio, capaz de comer bigatos, dormir na chuva e apanhar crocodilo na unha –, vence. O prêmio? A chance de apresentar um programa só seu, educativo e sobre animais e plantas, no próprio canal. Além de ser um “troféu” incrível, ainda é a maneira perfeita de escolher um hostess com pré-requisitos, e não apenas um modelo para abrilhantar o local.

Enquanto espero por esses que virão, vou me divertindo com a briga de foice na caixa-forte de Donald Trump e com outro programa do P+A. O dito cujo foi batizado como “Troca de Esposas”. Parece documentário sobre swingue, mas não é, não. Acontece assim: duas mulheres inglesas vão morar uma na casa da outra por 10 dias.

Em geral, o negócio é misturar estilos. A moça que trabalha fora e tem só um bebê vai viver numa casa suburbana apinhada de crianças e com serviços de casa bem Mirtes a cumprir. Vira um deus nos acuda... Ninguém acostuma! E olha que, na segunda metade da jornada, elas podem inverter as regras da residência e aplicar suas próprias idéias. Mesmo assim, dá pau.

Na minha opinião, “Troca de Esposas” foi inventado por algum produtor do sexo macho que se diverte horrivelmente subjugando mulheres e fazendo as mesmas enlouquecerem. Ainda assim, adoro – porque mostra reações realistas sobre as pessoas, e não maneirismos ensaiados para ganhar público votante e ganhar verdinhas.

No programa, aliás, nem existe prêmio, só cachê de participação. Para o espectador, essa é a melhor forma de notar o comportamento de uma dúzia de malucões em recinto lacrado. Três, dois, um... Já! que comece a experiência!

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Pedro Bial é bom... Mas Seo Trump mata a pau!
Fla Wonka às 02:27 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
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