quarta-feira, 22 de setembro de 2004

Úteis, mas fúteis

Você já parou para pensar quantos utensílios a nossa era transformou em itens de primeira necessidade? Eu já. Imagino como viviam as pessoas na Idade Média: sem televisão, chuveiro elétrico, carro, máquina de lavar, telefone. Sinceramente, não sei – só sei que conseguiam seguir em frente (não por muito tempo, porém). Apesar de admitirmos que o ser humano consegue viver livre de todas as comodidades, não podemos negar que a vida ficou mais fácil – ou mais agradável – com as invenções modernas.

Hoje em dia, dependo muito do computador. Eu me formei jornalista em pleno boom da Internet no Brasil e não sei como conseguiria fazer o que faço sem essa máquina barulhenta me conectando com o mundo sem me tirar da cadeira. Recebo pautas de matéria pelo e-mail, pesquiso informações em sites, procuro o contato de entrevistados em sistemas de busca e entrego a matéria pronta por e-mail. Sem contar o Garotas, que está aqui graças ao maravilhoso aparelho.

Nem tudo o que é novidade, porém, carrega o status de necessidade. Por exemplo: não vivemos sem computador, mas viveríamos sem um monitor de tela plana e cristal líquido. Certo? Bem, eu não tenho um exemplar desse enfeitando minha mesa de trabalho. Mas tenho outros objetos fúteis sem os quais eu até viveria – mas que fazem meu cotidiano mais feliz.

Controle remoto
Quando eu era pequena, precisava me levantar e ir até uma gigantesca e idosa televisão Mitsubishi para trocar de canais, e nunca me lembro de ter reclamado. Tudo bem que naquela época eu tinha apenas três canais favoritos e hoje tenho uns 30 – olha aí a TV por assinatura, outra comodidade fútil. Agora, não dá para imaginar não ter em mãos os retângulos que zapeiam pelas emissoras.

Creme para pentear
Só comecei a ligar para o meu cabelo já adolescente. Antes disso, tanto fazia se lavasse as madeixas com xampu ou com sabão em pó. Hoje em dia tenho crises de abstinência se eu vejo que meu creme para pentear – veja bem, não é condicionador! – está para terminar. Não que ele faça alguma diferença em meus parcos fios. Mesmo assim, já criei o hábito e não me separo dele!

Formato mp3
Antes tínhamos de nos contentar com as rádios ruins e os CDs caros. Graças ao mp3 (e também aos programas de compartilhamento de músicas), podemos baixar a faixa mais recente de nossa banda favorita ou o tema de abertura daquele programa extinto há muito tempo. Aposto que as gravadoras discordam, mas a novidade melhorou nossa vida, além de levantar outras questões importantes.

Ar condicionado
Felizmente, vivemos em uma época em que não precisamos aparecer em público completamente cobertos. Não que seja adepta ao micro-short e à mini-blusa. Longe disso! Só me alegro de saber que não preciso usar vestidos de sete saias, saiotes e espartilho. Mas a liberdade, de repente, não bastou: precisamos instalar esses aparelhos para não morrer de calor em ambientes populosos e fechados.

Mouse sem fio
Frescurite aguda? Então tente dividir o computador com um canhoto, ou vice-versa. Destra que sou, toda vez que precisava usar a máquina depois do namorido tinha de fazer o fio do aparelhinho dar toda a volta por trás do monitor, com cuidado para não derrubar nada no caminho. O mouse sem fio melhorou bastante o nosso problema – que não era lá um problemão, mas uma pedrinha no sapato.

Celular
Tem gente que não consegue viver sem o telefone móvel. Já vi estudos mostrando que pessoas se sentem mais confortáveis com o aparelho do lado, como se estivesse com um membro da família o tempo todo. Não chego a ser paranóica assim, mas gosto de ter uma possibilidade de contato rápido caso precise. E, hoje em dia, não se pode mais contar com orelhões em cidades cheias de vândalos.

Wonderbra
Minha invenção fútil favorita. E não apenas minha, hein? O Wonderbra é um sutiã que promete fazer o que o implante de silicone faz, mas sem cortes ou procedimentos cirúrgicos. Também não custa o preço de uma plástica – mas também está longe de ser “em conta”. Ainda assim, o malandro faz milagres. Eu viveria sem meu exemplar? Claro que sim! Mas se o universo lhe dá limões... No caso, melões... Uai, aproveite!

wonderbra.jpg
Levanta até defunto
Vivi Griswold às 10:38 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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